Goianésia- A liquidação extrajudicial do Banco Master evidenciou vulnerabilidades que podem surgir no sistema financeiro mesmo em instituições que aparentam solidez nos indicadores. O episódio, que acabou alcançando o Banco Will, gerou prejuízos a investidores, levantou questionamentos sobre os mecanismos de fiscalização e reacendeu o debate em torno de estratégias de crescimento baseadas em alto risco e forte concentração de recursos.
Em entrevista exclusiva à RVC FM, o assessor de investimentos Felipe Barbosa explicou que, por trás da imagem de estabilidade, existiam desequilíbrios estruturais relevantes. Segundo ele, a instituição direcionou grande parte dos recursos para ativos de elevado risco e baixa liquidez, como precatórios e fundos de crédito problemáticos, além de emitir volumes expressivos de CDBs com prazos entre dois e cinco anos. “Quando os títulos mais antigos começaram a vencer e o banco não conseguiu cumprir os pagamentos, o fluxo de caixa entrou em colapso”, afirmou.
Com a deterioração do cenário, a perda de confiança se espalhou rapidamente. Barbosa relatou que, à medida que os ativos venciam e os saques aumentavam, a instituição não dispunha de recursos suficientes em caixa para honrar seus compromissos. “Esse desequilíbrio de liquidez acelerou a crise em poucos dias e culminou na liquidação, mesmo após a divulgação de resultados que pareciam favoráveis”, explicou.
O assessor esclareceu como funciona o mecanismo de proteção aos investidores. De acordo com ele, o Fundo Garantidor de Créditos atua como uma espécie de seguro do sistema bancário, financiado pelas próprias instituições financeiras, garantindo até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por conglomerado. “Banco Master e Banco Will são considerados uma única estrutura para efeito desse limite”, pontuou. Estão cobertos produtos como CDB, LCI, LCA, RDB, LC e poupança. Aplicações dentro desse teto têm direito ao ressarcimento em poucos dias úteis, enquanto valores superiores passam a integrar o processo de liquidação.
Sobre os reflexos na fintech do grupo, Barbosa explicou que a ligação entre as instituições foi decisiva para o efeito em cadeia. O Banco Will dependia diretamente da estrutura financeira do Master e, com o colapso, a confiança no conglomerado foi comprometida. “Mesmo com tentativas iniciais de preservação, a crise se espalhou, mostrando como problemas em uma instituição podem atingir outras dentro do mesmo grupo”, avaliou.
No campo institucional, o caso extrapolou o mercado financeiro e chegou aos órgãos de controle e ao Judiciário. Para o assessor, os desdobramentos tendem a produzir efeitos distintos ao longo do tempo. “O Banco Central atuou conforme as regras para preservar o sistema financeiro, enquanto o TCU e o STF levantaram questionamentos sobre o processo. No curto prazo, isso gera instabilidade, mas, no longo prazo, pode fortalecer a regulação e ampliar a transparência das intervenções”, analisou.
Após a decretação da liquidação, o procedimento para quem possui valores a receber segue um rito definido. Segundo Barbosa, o FGC inicia rapidamente o pagamento, com cadastro realizado pelo aplicativo, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o conglomerado como um todo.
O episódio deixa alertas claros para quem investe. “Rentabilidades muito acima da média costumam estar associadas a riscos elevados. Diversificar aplicações, avaliar a solidez das instituições e compreender o nível de risco envolvido são medidas fundamentais. Decisões baseadas apenas em ganhos rápidos podem comprometer o patrimônio. Planejamento e orientação profissional fazem toda a diferença”, concluiu.




