Estado figura entre os que concentram mais solicitações no país

 

Goianésia - Goiás está entre os estados brasileiros com maior número de pedidos de recuperação judicial envolvendo empresas dos setores agropecuário e industrial. Dados apresentados pelo advogado empresarial Eliseu Silveira, especialista em crédito, apontam que foram protocolados 99 pedidos no estado no último ano, volume inferior apenas ao do Mato Grosso, que registrou 112 solicitações no mesmo período.

Segundo o advogado, o cenário resulta de um conjunto de fatores econômicos que têm pressionado produtores rurais e empresários ao longo dos últimos anos. Ele explica que o alto nível de endividamento, somado aos impactos da pandemia, à elevação das taxas de juros, às oscilações no mercado de commodities, ao aumento do custo dos insumos e aos reflexos da guerra na Ucrânia, levou as instituições financeiras a autorizarem a prorrogação de dívidas a partir de 2022.

Esse adiamento dos compromissos financeiros concentrou os vencimentos nos anos seguintes, o que contribuiu para a elevação do número de recuperações judiciais. De acordo com Silveira, esse movimento passou a se intensificar em 2025 e deve permanecer em patamar semelhante ao longo de 2026.

Em dezembro, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás divulgou dados que evidenciam as dificuldades enfrentadas pelo setor agropecuário no estado. A inadimplência alcançou 10%, com cerca de 4 bilhões de reais em dívidas renegociadas ao longo de 2025, reforçando o cenário de pressão financeira sobre a economia regional.

O advogado avalia que os efeitos do desequilíbrio financeiro no agro se propagam por toda a cadeia produtiva. Entre as empresas que recorreram à recuperação judicial em 2025, há um número significativo de prestadores de serviços cuja atuação era direcionada quase exclusivamente ao setor agropecuário.

Esse movimento afeta segmentos como revendas de insumos, transportadoras e empresas de apoio à produção rural, que passam a enfrentar dificuldades de fluxo de caixa quando produtores deixam de honrar compromissos financeiros, ampliando o impacto econômico.

Para 2026, a projeção é de que o bom desempenho da safra de grãos contribua para a manutenção do volume de pedidos de recuperação judicial em nível semelhante ao do ano anterior, sem indicação de recuo expressivo no curto prazo.