Perícia do material apreendido será acompanhada por quatro peritos da PGR

Goianésia- A Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal retomaram, nesta semana, os depoimentos no inquérito que investiga supostas irregularidades na compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A apuração envolve um esquema de desvio de recursos e possíveis fraudes no mercado financeiro, com participação de sócios do banco, executivos do BRB e empresas ligadas aos investigados. As oitivas seguem até esta terça-feira, 27 de janeiro, com depoimentos presenciais e virtuais.

Até o momento, apenas Luiz Antonio Bull, ex-diretor de Riscos, Compliance, Recursos Humanos e Tecnologia do Banco Master, prestou esclarecimentos de forma virtual. Segundo a defesa, Bull respondeu a todas as perguntas feitas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelo juiz-instrutor do STF, demonstrando colaboração com as investigações.

Outros depoimentos previstos, como os de Robério Cesar Bonfim Mangueira, ex-superintendente de Operações Financeiras do BRB, e de sócios do Banco Master, foram adiados. As defesas alegaram não ter tido acesso integral aos documentos do processo. Na segunda-feira, 26 de janeiro, o diretor de Finanças do BRB, Dário Oswaldo Garcia Junior, prestou depoimento, enquanto o superintendente-executivo do Banco Master, Alberto Felix de Oliveira, optou por permanecer em silêncio, afirmando não ter poder de gestão sobre os contratos investigados.

O ministro relator do caso, Dias Toffoli, autorizou que todos os depoimentos sejam colhidos em apenas dois dias, após solicitação da Polícia Federal por prazo maior. A decisão gerou desgaste institucional entre a corporação e o STF. Parte da perícia do material apreendido na última fase da Operação Compliance Zero ficará sob responsabilidade da Procuradoria-Geral da República, com quatro peritos designados de forma independente pelo ministro, sem indicação da PF.

As investigações apontam que o Banco Master teria explorado vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização para beneficiar controladores e sócios, especialmente o empresário Daniel Vorcaro e pessoas próximas. Segundo a Polícia Federal, o banco captava recursos por meio de CDBs e os direcionava a fundos nos quais figurava como cotista único. Esses fundos, por sua vez, adquiriam notas comerciais e direitos creditórios de empresas vinculadas a sócios do banco ou a pessoas próximas, sem lastro econômico consistente.

O avanço dos depoimentos é considerado decisivo para os próximos passos do inquérito. Caso seja confirmada a participação de autoridades com foro privilegiado, o processo permanecerá no STF. Se não houver essa conexão, a investigação poderá retornar à primeira instância, onde tramitava até o final de 2025. A PGR deve apresentar relatório final em até 60 dias, com a indicação de provas e possíveis indiciamentos.

Desde dezembro, decisões do ministro Dias Toffoli relacionadas ao caso vêm provocando tensão interna na Polícia Federal e no Supremo Tribunal Federal, com debates sobre a condução do inquérito, a preservação institucional e a imagem da Corte.