Tributação sobre compras internacionais altera hábitos de consumo e impacta o comércio eletrônico

Goianésia - A tributação aplicada a compras internacionais de pequeno valor, conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”, vem provocando mudanças no comportamento do consumidor brasileiro. A cobrança de impostos sobre encomendas feitas em plataformas estrangeiras levou muitos compradores a repensarem aquisições, principalmente de roupas e acessórios.

Para o economista Carlos Ascoli, os efeitos da medida são pouco relevantes do ponto de vista da arrecadação e geram consequências sociais significativas. Segundo ele, o impacto fiscal não compensa o desgaste causado. “A arrecadação obtida com essa taxa não é expressiva para o governo. Em contrapartida, o custo político é alto, porque atinge diretamente um público que utiliza esse tipo de compra como alternativa de acesso a produtos mais baratos, especialmente pessoas de menor renda”, afirmou.

Dados do setor de comércio eletrônico reforçam essa percepção. Levantamentos indicam que 29% dos brasileiros deixaram de finalizar compras online após a entrada em vigor da taxa. O principal fator é o aumento do valor final das mercadorias, já que a carga tributária pode ultrapassar 40% do preço do produto, tornando a compra menos atrativa para grande parte dos consumidores.

Na avaliação de Ascoli, a medida provoca reflexos no mercado interno, mas não resolve entraves históricos do setor. “Pode haver um pequeno fôlego para empresas nacionais que enfrentam impostos elevados e altos custos operacionais. No entanto, essas dificuldades estruturais seguem pesando, e os produtos importados continuam competitivos, mesmo com a tributação”, analisou.

Com esse cenário, consumidores passam a buscar alternativas no comércio nacional, enquanto o varejo brasileiro observa uma reconfiguração nos hábitos de compra. A dinâmica do consumo segue fortemente influenciada pelos preços finais e pelo peso da carga tributária, fatores que continuam determinantes nas decisões do público.