Goianésia - O encarecimento do crédito tem imposto obstáculos relevantes ao setor industrial brasileiro, e em Goiás o cenário não é diferente. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria aponta que oito em cada dez indústrias enfrentam dificuldades para acessar financiamentos, sobretudo em razão das taxas de juros praticadas no mercado.
De acordo com a pesquisa, cerca de 80% das empresas que buscaram crédito de curto ou médio prazo indicaram os juros elevados como o principal entrave. O ambiente de taxas altas também desestimula a contratação de financiamentos de longo prazo, tradicionalmente utilizados para investimentos estruturais, modernização de plantas industriais e ampliação da capacidade produtiva.
Em Goiás, o impacto desse cenário recai diretamente sobre os investimentos do setor. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás, André Rocha, avalia que a manutenção da taxa Selic em patamares elevados reflete a percepção do mercado quanto às dificuldades no ajuste fiscal do governo federal. “Se a Selic permanece em torno de 15%, é um indicativo de que o mercado não percebe avanços suficientes no ajuste fiscal, o que impede a redução dos juros reais e mantém elevado o custo final do crédito”, afirmou.
Segundo André Rocha, a insegurança jurídica e política contribui para agravar o cenário, levando muitas indústrias a adiar ou até desistir de projetos de expansão. A retração nos investimentos afeta diretamente o ritmo de crescimento do setor produtivo, com reflexos sobre a geração de empregos e a renda da população.
O economista e assessor da Fieg, Cláudio Henrique, reforça que o custo do crédito se consolidou como o principal limitador ao avanço da indústria goiana. “Com juros elevados, os empresários reduzem investimentos em equipamentos e tecnologia, o que compromete a produtividade. Em muitos casos, o capital é direcionado ao mercado financeiro, enquanto projetos industriais deixam de sair do papel”, explicou.
Ainda segundo Cláudio Henrique, a dificuldade de acesso ao crédito atinge tanto financiamentos de curto quanto de longo prazo e compromete o planejamento das empresas. Sem capital de giro e investimentos em inovação, as indústrias tornam-se mais vulneráveis à inflação e ao aumento dos custos de matéria-prima, o que coloca em risco a competitividade e a sustentabilidade do setor em Goiás.




