Alta de preços de peças, combustível e acessórios pressiona entregadores e dificulta aquisição de novas motocicletas

Goianésia - As motocicletas ganharam espaço nas ruas brasileiras nos últimos anos, impulsionadas principalmente pelo aumento do preço da gasolina. O menor consumo e a manutenção historicamente mais barata levaram muitos trabalhadores a trocar o carro pela moto. Em Goianésia, no entanto, essa alternativa tem pesado cada vez mais no bolso de quem depende do veículo para garantir renda.

Entregador na cidade, Luciano Teixeira relata que os custos, antes considerados administráveis, passaram a comprometer o orçamento mensal. “A gente trabalha porque precisa complementar a renda. Muitos colegas estão na mesma situação, inclusive por causa do desemprego. Mas, quando coloca tudo na ponta do lápis, não compensa como antes. Mesmo assim, é a única fonte de renda que temos”, afirma.

Nos últimos doze meses, o preço da gasolina subiu quase um real por litro, mas o impacto não se limita ao combustível. Despesas básicas para motociclistas também registraram alta expressiva. Um capacete pode chegar a 400 reais, enquanto kits de proteção contra chuva custam em média 200 reais. Além disso, revisões periódicas, troca de pneus, relação da moto e pastilhas de freio encarecem a manutenção. “Antes eu gastava, no máximo, entre 200 e 300 reais. Hoje esse valor já passou para 500 ou até 600 reais, por causa do aumento das peças, da gasolina e de tudo mais”, relata Luciano.

O reflexo da inflação também é sentido no comércio de acessórios. Segundo o lojista Roberto Moreira, praticamente todo o estoque sofreu reajustes, com aumento médio de 50%, e alguns itens tiveram elevação ainda maior. O chamado “mata-cachorro”, por exemplo, passou de cerca de 60 reais antes da pandemia para mais de 100 reais, uma alta superior a 50%. Já os baús utilizados por entregadores chegaram a registrar aumento de até 100%. “Hoje, para instalar um baú, é necessário o suporte. Só esse suporte custa em torno de 294 reais. Somando suporte e baú, o valor chega a quase 800 reais. Antes, esse mesmo kit saía por praticamente metade do preço”, explica.

Além dos acessórios e da manutenção, o valor das próprias motocicletas também subiu. Modelos de 150 cilindradas, que no ano passado custavam em torno de 12 mil reais, hoje podem chegar a 15 mil e 800 reais nas concessionárias, dificultando a troca ou a aquisição de um veículo novo por trabalhadores autônomos.

A combinação de combustível mais caro, peças reajustadas, acessórios com preços elevados e manutenção frequente tem tornado a rotina de entregadores e pequenos profissionais cada vez mais desafiadora. O aumento contínuo dos custos reduz a margem de ganho e impacta diretamente a renda de quem depende da moto como principal ferramenta de trabalho.

Mesmo diante das dificuldades, para muitos trabalhadores a motocicleta continua sendo indispensável. “A moto ainda é nossa ferramenta de trabalho. A gente precisa dela, mas manter hoje pesa muito no bolso. Tudo subiu: peça, combustível, manutenção. É difícil, mas não temos outra alternativa”, conclui Luciano.