Valorização do feijão-carioca e do feijão-preto é motivada pela menor oferta e pelo aumento nos custos de produção

Goianésia - O preço do feijão começou 2026 em alta em todo o país. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada aponta que a valorização do feijão-preto e do feijão-carioca está diretamente ligada à menor oferta do produto no mercado. No leste de Goiás, a saca do feijão-carioca de melhor qualidade foi negociada a 232 reais na última semana, acumulando alta de 13% desde o início de janeiro.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Feijão, Adalberto Pegorer, o feijão-carioca passou cerca de um ano sem reajustes, mesmo com o aumento dos custos de produção, enquanto o feijão-preto sofreu quedas de preços que desestimularam o plantio. Para ele, a alta atual é uma correção natural do mercado: “O que nós vamos ter pela frente agora é uma redução de área bastante expressiva no feijão-preto e também no feijão-carioca. Isso repercute, embora o aumento não tenha sido tão expressivo. Se houver aumento muito forte, o produtor muda de cultura. Estamos no início de um novo plantio de feijão. Nada impede que ele amplie a produção e que as coisas se normalizem lá na frente.”

Goiás ocupa posição de destaque na produção nacional de feijão, especialmente no cinturão agrícola próximo a Brasília e na região central do estado. A qualidade do grão goiano é favorecida pelo uso de sistemas de irrigação, que garantem um produto mais claro e macio. Apesar da previsão de redução da área plantada, devido aos custos elevados, produtores avaliam que o cultivo pode ser ampliado rapidamente caso os preços permaneçam atrativos.

Para o consumidor, o economista André Luis Braga avalia que o impacto tende a ser moderado no curto prazo, menos grave do que o observado no início de 2024: “No mês de abril de 2024, tivemos uma alta de preços maior do que estamos vendo agora. Entre março e maio de 2025, os valores também estavam em patamares mais elevados. É um ciclo natural, muito em função da redução da oferta, que eleva o preço, mas, ao longo do tempo, com novas safras ou maior produção, os valores tendem a se estabilizar.”

Diferentemente da carne, o feijão possui poucos substitutos na alimentação do brasileiro, o que mantém a demanda elevada mesmo em períodos de menor oferta. A expectativa do setor é que, com a entrada das próximas safras, os preços avancem para um cenário de maior estabilidade, beneficiando produtores e consumidores.