Itens essenciais ficam mais caros e ampliam impacto no bolso do consumidor

Goianésia - Levantamentos realizados entre o final de 2025 e o início de 2026 apontam uma elevação expressiva nos preços de itens essenciais da alimentação, como banana, óleo de soja, batata, manteiga, carne bovina e açúcar cristal. O resultado direto dessas variações foi o aumento do custo da cesta básica em Goiás, que chegou, em janeiro de 2026, ao valor médio de R$ 725,95. O impacto já é sentido de forma clara pelos consumidores, especialmente nas compras do dia a dia.

Em Goianésia, a aposentada Neide Ferreira relata a dificuldade para manter o orçamento equilibrado diante da alta nos preços. Segundo ela, as despesas com alimentação têm superado o planejamento mensal. “Realmente está muito caro. O custo de vida subiu bastante, e a gente acaba gastando mais do que o previsto com supermercado. Isso é algo que me preocupa muito”, afirma.

O aumento dos alimentos compromete diretamente o planejamento financeiro das famílias goianas, sobretudo aquelas com renda mais baixa. Em municípios como Anápolis, por exemplo, a cesta básica registrou alta de 2,3% em outubro de 2025, refletindo um movimento de pressão contínua sobre os preços. A economista Alessandra Campos explica que os reajustes são mais sentidos em produtos de consumo frequente, como carnes e legumes, que têm peso significativo no orçamento doméstico.

De acordo com a economista, o problema não se resume a um único fator. “Quando analisamos os últimos quatro ou cinco anos, observamos um aumento constante e expressivo em despesas como energia elétrica, que impacta diretamente a renda das famílias de baixa renda. Houve elevação significativa também nos preços da carne e em setores como a construção civil. Hoje, existe uma perda muito grande do poder de compra, e isso afeta diretamente famílias que vivem com rendimentos insuficientes para cobrir despesas básicas”, explica.

Alessandra Campos destaca que o valor do salário mínimo está distante do necessário para garantir uma vida digna a uma família. “Estudos indicam que o salário mínimo ideal para uma família de quatro pessoas deveria girar em torno de sete mil reais. Estamos muito longe disso. Quando mais de 50% do salário mínimo líquido é comprometido apenas com alimentação, há um risco real à segurança alimentar dessas famílias, o que torna esse cenário extremamente preocupante”, alerta.

Entre os principais fatores que ajudam a explicar a alta dos preços estão as variações climáticas, que afetam diretamente a produção agrícola, e o encerramento de ciclos de colheita, reduzindo a oferta de produtos como batata e carne vermelha. Mesmo com a adoção de incentivos fiscais para itens considerados essenciais, o mercado segue pressionado, exigindo dos consumidores maior atenção, pesquisa de preços e adaptação dos hábitos de consumo para lidar com o aumento do custo de vida.