A proposta é permitir que empresas e contribuintes se adaptem gradualmente ao novo modelo

Goianéasia - A partir de janeiro de 2026, o Brasil dará início à implementação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que será adotado no modelo dual. O novo sistema será composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de âmbito federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal.

De acordo com a presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Goiás, Sucena Humel, a alíquota inicial será simbólica, fixada em 1%, sendo 0,9% referente à CBS e 0,1% ao IBS. A proposta é permitir que empresas e contribuintes se adaptem gradualmente ao novo modelo, sem aumento imediato da carga tributária, já que os valores pagos serão compensados com PIS e Cofins.

“A reforma tributária vai alterar de forma significativa a estrutura de cobrança e fiscalização dos impostos no país. Apesar de prever a simplificação do sistema, com a unificação de tributos como ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI, isso não significa, necessariamente, redução da carga tributária para todos os setores”, explica Sucena. Segundo ela, alguns segmentos podem até ter alívio, mas outros podem enfrentar aumento, o que torna o planejamento essencial.

A especialista destaca que empresas precisam se preparar desde já. “A falta de planejamento e de compreensão do próprio negócio pode resultar em aumento da tributação. Por isso, simulações, estudos e análises de preços são fundamentais neste momento”, afirma.

O período de transição se estenderá até 2033, quando o novo sistema entrará plenamente em vigor. Já a partir de 2026, começam as fases de testes e simulações, incluindo a adaptação aos novos modelos de emissão de notas fiscais. Segundo Sucena Humel, o primeiro impacto prático será justamente nessa etapa inicial, com a necessidade de adequação dos sistemas.

A especialista ressalta ainda que os Microempreendedores Individuais (MEIs) não serão afetados nesse primeiro momento. “Os MEIs estão isentos desse impacto inicial, o que traz um pouco mais de tranquilidade para esse público”, pontua.

Especialistas apontam que o período de testes será fundamental para identificar falhas nos processos, ajustar sistemas, capacitar equipes e preparar as empresas para a transição gradual. A expectativa é que o novo modelo proporcione maior eficiência na arrecadação e mais transparência no sistema tributário, reduzindo distorções ao longo do tempo.