Investimentos em modernização e distribuição de energia são prioridade

Goianésia-O balanço apresentado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) evidenciou os principais desafios econômicos enfrentados pelo setor em 2025. Entre os pontos de maior preocupação estão a taxa de juros elevada e o aumento da inadimplência, que alcançou 10%, com cerca de R$ 4 bilhões renegociados. O estado também registrou mais de 500 pedidos de recuperação judicial no setor agropecuário.

Diante desse cenário, o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, criticou as atuais políticas econômicas e alertou para os impactos diretos sobre o produtor rural.

“É o reflexo de uma política econômica equivocada, sem responsabilidade fiscal e sem respeito ao teto de gastos. A Selic está em 15% e, somadas as taxas reais, chega a quase 20%. Isso gera um cenário muito desafiador para o produtor rural do Brasil. Por um lado, o agro caminha bem, oferece safras recordes, contribui para o controle da inflação e fortalece as exportações. Por outro, o produtor goiano e brasileiro não tem muito a comemorar devido a essas questões”, explica Schreiner.

Outro fator que pressionou o setor foi o aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos em agosto, afetando diferentes segmentos da produção goiana, com destaque para pescados e açúcar. Mesmo com a taxação, a carne bovina, principal produto exportado para o mercado norte-americano, registrou crescimento de 104% na quantidade embarcada em relação ao ano anterior.

No campo, a safra de grãos bateu recorde, com 37 milhões de toneladas colhidas e produtividade média de 70 sacas por hectare. A produção de soja avançou 20% e a de milho, 12%. Apesar do desempenho produtivo, a rentabilidade ficou comprometida, já que, a cada 70 sacas colhidas, cerca de 50 foram destinadas ao pagamento de custos.

Para 2026, o cenário segue desafiador. O atraso das chuvas prejudicou o plantio da soja e, segundo José Mário Schreiner, a orientação ao produtor é agir com cautela diante das incertezas econômicas.

“Sem dúvida, o custo de produção para 2025 e 2026 permanece muito alto. As altas taxas de juros e o menor acesso ao crédito, cerca de 20% menos crédito oficial, fizeram com que os produtores buscassem outras fontes, usando mais recursos próprios. Muitos utilizaram até o próprio patrimônio para viabilizar o plantio. Isso traz preocupação para o próximo ano”, afirma.

O setor produtivo também cobra investimentos em infraestrutura. Uma das principais demandas é a ampliação e modernização do sistema de distribuição de energia em Goiás, especialmente na região do Vale do Araguaia, considerada estratégica para a expansão do agronegócio.