Goianésia- Mesmo com avanços registrados nos últimos anos, as mulheres ainda enfrentam barreiras significativas para ocupar cargos de liderança no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que elas representam menos de 40% dos postos de chefia e direção, indicador que evidencia a permanência da desigualdade de gênero no mercado de trabalho.
Para a ativista e líder na defesa dos direitos das mulheres, Nanda Vandielle, o enfrentamento desse cenário precisa ser tratado como prioridade pelas organizações. “A gente precisa ter essa conversa com a gestão. É necessário falar sobre representatividade nos conselhos, que hoje é baixíssima. Esse tema precisa estar dentro das organizações e não pode ser tratado como moda. Não é fazer porque está em evidência, é fazer porque é importante e porque isso também traz ganhos estratégicos para as empresas”, destaca.
Um estudo recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que as mulheres recebem, em média, 20% a menos que os homens, mesmo quando ocupam cargos de mesmo nível e desempenham funções equivalentes. O dado reforça que a desigualdade salarial permanece como um dos principais desafios na busca por equidade no ambiente profissional.
Além da diferença nos salários, outros fatores contribuem para dificultar o avanço das mulheres, como a dupla jornada entre trabalho e responsabilidades domésticas, o preconceito estrutural e a menor oferta de oportunidades de capacitação. A empreendedora goianesiense Juliana Silva, proprietária do próprio negócio, relata os desafios enfrentados ao longo da trajetória. “Hoje posso dizer que há uma satisfação muito grande e um agradecimento imenso. Nós, mulheres, mostramos que somos capazes de enfrentar desafios e que não existe mais espaço para o preconceito de antigamente”, afirma.
Especialistas avaliam que a transformação desse cenário passa pela implementação de políticas de equidade salarial, programas de formação de lideranças femininas e incentivos à participação das mulheres em todos os setores da economia. A luta por igualdade de gênero segue como pauta essencial, e cada avanço representa um passo importante na construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e representativa.



