Setores devem sentir reflexos já no início de 2026

Goianésia- A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) aprovou o projeto de lei enviado pelo Governo do Estado que prevê o reajuste do ICMS sobre combustíveis a partir de 2026. A proposta, segundo o governo, busca adequar a legislação estadual a uma resolução do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Contudo, especialistas alertam que a mudança deve gerar impacto direto no bolso dos consumidores e pressionar preços em diversos setores da economia.

O advogado tributarista e economista Danilo Orsida explica que, embora o governo apresente a atualização como uma “recomposição nominal”, o aumento em um setor tão sensível como o de combustíveis inevitavelmente provoca efeitos em cadeia.

“A justificativa do projeto está fundamentada na ideia de recomposição de valores para a gestão fiscal do Estado. No entanto, mesmo sendo uma alteração nominal da alíquota chamada ADREM, que aplica um valor fixo por unidade de medida, existe sim um risco inflacionário. O setor de combustíveis afeta diretamente transporte, energia e logística, gerando um efeito cascata de preços”, afirma.

Reajustes entram em vigor em 2026

Com a aprovação, as novas alíquotas passam a valer em 1º de janeiro de 2026. Os valores definidos são:
• Diesel e biodiesel: R$ 1,17 por litro
• Gasolina e etanol: R$ 1,57 por litro
• Gás de cozinha (GLP): R$ 1,47 por quilo

Segundo Orsida, os impactos tendem a ser sentidos de maneira ampla. O aumento no diesel afeta diretamente o custo de distribuição de produtos, enquanto o reajuste do gás de cozinha pesa de forma mais intensa no orçamento das famílias, sobretudo as de baixa renda, além de pressionar gastos de bares e restaurantes.

“O custo da alimentação fora de casa também aumenta. O diesel está ligado a toda a cadeia de distribuição, já que abastece a maior parte da frota de caminhões. Portanto, qualquer ajuste na tributação tem potencial de elevar custos logísticos e pressionar a inflação”, explica.

O projeto segue agora para sanção do governador. Caso seja confirmado, o reajuste deve influenciar os preços pagos pelos consumidores no início de 2026, reacendendo o debate sobre o peso da carga tributária no custo de vida e na competitividade econômica em Goiás.