O taxista goianesiense Francisco Lacerda conta que, mesmo com a mudança na tarifa, a conta de energia permaneceu alta

Goianésia - A redução anunciada na bandeira tarifária pode parecer pequena quando analisada isoladamente, mas ganha importância no acumulado mensal de residências, pequenos comércios e indústrias que dependem intensamente da energia elétrica. O alívio chega em um período financeiramente sensível, marcado pelos gastos de fim de ano e pelas altas temperaturas, que aumentam o uso de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado.

O taxista goianesiense Francisco Lacerda conta que, mesmo com a mudança na tarifa, a conta de energia permaneceu alta. Na casa onde vivem quatro pessoas, sendo que três passam grande parte do dia fora, o impacto do consumo continua pesado no orçamento.

“Não aumentou os aparelhos que a gente usa e, mesmo assim, o aumento foi grande, passou de 50%”, relata.

A mudança para a bandeira amarela está diretamente relacionada às condições climáticas. Com a chegada do período chuvoso, a previsão de precipitações para dezembro é superior à registrada em novembro na maior parte do país. Apesar de abaixo da média histórica, esse aumento favorece a recuperação dos reservatórios e reduz parcialmente a necessidade de acionar usinas termelétricas, que têm custo mais elevado.

O executivo de faturamento da Equatorial Goiás, Marcos Aurélio, explica que a percepção real do alívio tarifário deve ocorrer apenas no próximo mês. Isso porque, até novembro, o consumo residencial cresceu 14%, refletindo diretamente na conta.

Segundo ele, o calor extremo e o reajuste tarifário influenciaram significativamente o valor final pago pelos consumidores.

“Foi realmente o aumento do consumo, motivado pela temperatura. Também tivemos o reajuste tarifário, em torno de 19%, cujo efeito completo só começou a ser percebido no final de novembro. Agora, na fatura de dezembro, o consumidor verá integralmente esse impacto”, afirmou.

A Aneel destaca que, mesmo com a melhora das chuvas, as termelétricas continuam essenciais para garantir o fornecimento de energia. Isso vale especialmente para os horários de pico, quando a demanda cresce de forma acentuada. A agência avalia que a combinação entre a recuperação gradual dos reservatórios e o uso estratégico das usinas térmicas deve manter a estabilidade do sistema elétrico nas próximas semanas.