Goianésia - O preço do café no varejo brasileiro registrou queda de 3,5%, consolidando o quarto mês consecutivo de recuo para o consumidor. Apesar da retração, especialistas apontam que o acumulado dos últimos 12 meses permanece elevado, resultado das oscilações observadas nos mercados nacional e internacional.
Leonardo Machado, gerente técnico do IFAG, explica que fatores internos e externos contribuíram para esse movimento de redução, embora o cenário global continue pressionando o produto.
“Houve uma queda no preço internacional do café, puxada por dois elementos principais. Primeiro, o Brasil, que é o maior produtor mundial, registrou uma boa safra, o que ampliou a oferta. Seguindo mudanças na tributação americana afetaram diretamente nossas exportações. Com isso, parte do produto permaneceu no mercado interno, reduzindo preços. Porém, é importante destacar que o café segue em patamares elevados. Essa não é uma questão exclusivamente brasileira, trata-se de um contexto global. Os estoques internacionais estão muito baixos, o que sustenta preços altos no mercado mundial”, afirma.
Entre os fatores que influenciam a redução no varejo, analistas destacam a oferta ampliada pela safra nacional e o impacto tributário nos Estados Unidos, que diminuiu a competitividade do produto brasileiro no exterior. Essa combinação contribuiu para aliviar a pressão sobre os preços internos, alinhando o mercado a uma tendência de desaceleração observada nos últimos meses.
Em Goianésia, porém, o reflexo para comerciantes permanece limitado. O empresário Humberto Rosa, proprietário de uma panificadora, relata que as reduções pouco se materializam no dia a dia das vendas.
“O café ficou barato durante muito tempo, depois teve um aumento brusco. Com a mudança nas importações americanas, houve uma queda, mas muito discreta. Fala-se em porcentagens maiores, mas isso raramente chega ao consumidor. O café acaba sendo um produto de atração, então mantemos preços mais estáveis, com margem pequena, para fidelizar o cliente. Quando há aumento, compensamos ajustando outros itens”, explica.
Mesmo com o recuo recente, o café acumula alta superior a 48% em comparação ao mesmo período do ano passado.




