Reajuste é positivo, mas famílias com maiores despesas seguem pressionadas pelo orçamento

Goianésia- O salário mínimo deve ter novo reajuste a partir de janeiro de 2026 e poderá chegar a R$ 1.631,00, conforme previsão do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). O valor segue a política permanente de valorização do piso nacional, que considera a inflação medida pelo INPC e o crescimento do PIB dos dois anos anteriores.

O economista do Dieese, Clóvis Scherer, avalia que, apesar do aumento, o reajuste ainda não é suficiente para suprir as necessidades básicas das famílias.
“A taxa de aumento de preços na economia vem crescendo desde metade do ano passado. Isso impacta diretamente a condição de vida da população, especialmente das famílias de menor renda. O processo inflacionário tem sido puxado por itens essenciais, como alimentação. Por isso, mesmo com reposição da inflação, o salário mínimo tende a ser insuficiente para manter o padrão de vida. Os preços sobem pelo elevador, enquanto os salários sobem pela escada”, explica.

Segundo o Ministério da Fazenda, o novo salário mínimo garante reposição inflacionária e aumento real, reforçando o compromisso do governo com a recuperação do poder de compra dos trabalhadores. O reajuste também impacta benefícios previdenciários, assistenciais e abonos que utilizam o piso nacional como referência.

A goianesiense Maria Lúcia afirma que é difícil definir um valor que realmente atenda às necessidades das famílias.
“Na minha opinião, o salário mínimo não dá para a gente sobreviver. Para uma pessoa sozinha, que não paga aluguel ou não tem gastos com medicamento, até daria. Mas para uma família grande, com despesas maiores, um salário mínimo não é suficiente”, relata.

Especialistas alertam que, apesar do ganho nominal, o custo de vida segue em alta e tende a continuar pressionando o orçamento doméstico em 2026. Eles destacam que a valorização do mínimo é importante, mas precisa vir acompanhada de medidas que ampliem a oferta de empregos, fortaleçam a renda e ajudem a conter a inflação ao longo do próximo ano.