Goianésia - A RVC FM realizou nesta quinta-feira (27), o quarto episódio da série “2026 à Vista”, que tem debatido ao longo da semana temas essenciais para o futuro de Goianésia. O projeto reúne especialistas e lideranças para analisar desafios e oportunidades que moldam o desenvolvimento do município.
Depois de discutir trânsito, saúde e educação, a edição de hoje abordou Indústria e Comércio, áreas que sustentam a economia local e influenciam diretamente a geração de empregos, a expansão empresarial e a competitividade regional.
Participaram do debate Otávio Lage de Siqueira Filho, diretor-presidente da Jalles e ex-prefeito de Goianésia, e André Moura dos Santos, gerente da Regional Norte do Sebrae Goiás. Ambos trouxeram análises complementares sobre o cenário atual e os rumos econômicos da cidade
Crescimento econômico e qualidade de vida
Ao abrir sua participação, Otavinho ressaltou o ritmo de crescimento registrado por Goianésia nos últimos anos. Ele ressaltou que o município tem se tornado destino de novos moradores e investidores, motivados pela infraestrutura consolidada, pela oferta de empregos e pelo ambiente seguro para empreender. Para ele, o conjunto de fatores que sustenta esse movimento é resultado direto do trabalho de empresários e lideranças que, ao longo das últimas décadas, acreditaram no potencial da cidade.
“Goianésia é realmente um expoente no médio norte goiano. Temos uma base sólida construída pelos empresários locais e por quem acreditou no município. Isso se reflete em oportunidades, qualidade de vida e em uma cidade acolhedora, capaz de receber bem quem chega”, afirmou. Ele acrescentou que a chegada de grandes empreendimentos, entre eles a Fricó, reforça a vocação econômica do município e amplia as possibilidades de crescimento industrial e comercial.
Otavinho avaliou que a localização geográfica de Goianésia, apoiada por rodovias que facilitam o escoamento e o deslocamento regional, cria um ambiente favorável à expansão produtiva. Ele defendeu que novas obras, como o anel viário em discussão, podem elevar a eficiência logística e reduzir o fluxo intenso dentro da área urbana, assegurando desenvolvimento sustentável.
Empreendedorismo, qualificação e transformação digital
O gerente regional do Sebrae, André Moura, analisou o dinamismo econômico de Goianésia e destacou que o município acompanha a tendência nacional de crescimento do empreendedorismo, mas com características próprias. Ele frisou que os pequenos negócios têm desempenhado papel decisivo na economia local, não apenas pelo atendimento direto aos consumidores, mas também pela prestação de serviços e fornecimento especializado às grandes indústrias da região.
André observou que o acesso ao crédito continua sendo uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos empreendedores. Ele explicou que muitos empresários chegam aos bancos sem planejamento financeiro adequado, o que reduz as chances de aprovação. Por isso, segundo ele, o Sebrae tem ampliado ações de orientação, principalmente por meio de programas como o Conexão Financeira, que prepara o empreendedor para lidar com crédito de forma estratégica e responsável.
Ao falar sobre o crescimento das vendas online, André afirmou que a transformação digital não eliminou postos de trabalho, mas alterou profundamente a forma como eles são exercidos. Para ele, a digitalização ampliou possibilidades e impôs novos desafios. “O emprego não acabou. O que mudou foi a forma de trabalhar. Antes o vendedor atendia na loja, hoje ele pode responder dez, quinze ou vinte clientes ao mesmo tempo no WhatsApp, no Instagram ou em uma loja virtual. A relação de consumo mudou e a relação de emprego também precisa se adaptar”, afirmou.
Ele também apontou que empreendedores que não investem em presença digital acabam perdendo espaço, já que o comportamento do consumidor está cada vez mais conectado. Para ele, vitrine atualizada, estratégia de comunicação e participação em marketplaces já deixaram de ser diferenciais e se tornaram requisitos básicos de competitividade.
Indústria e comércio: setores que movem a cidade
Ao comentar o papel do comércio na geração de empregos, Otavinho explicou que a maior parte dos empresários desse segmento é formada por pequenos empreendedores, o que amplia a quantidade de vagas de trabalho ofertadas na cidade.
Ele explicou que a dinâmica da economia local funciona como um ciclo no qual indústria e comércio se fortalecem mutuamente. De acordo com o executivo, quando a indústria cresce, o comércio acompanha, e quando o comércio se desenvolve, melhora a qualidade da oferta de serviços, estimulando também o setor produtivo. Para ele, essa interação é um dos maiores diferenciais de Goianésia.
André reforçou essa visão ao mencionar estudos do Sebrae que mostram que a maior massa de empregos do país é gerada pelos pequenos negócios. Ele observou que essa é uma realidade nacional e se repete com força em Goianésia. Segundo ele, entender esse fluxo econômico é fundamental para planejar políticas de incentivo e estratégias empresariais que mantenham o município competitivo.
Desafios e oportunidades para as indústrias
Ao projetar os próximos anos, Otavinho afirmou que as indústrias precisam se modernizar continuamente para elevar competitividade e eficiência. Ele citou o crescimento acelerado do etanol de milho como um dos desafios mais relevantes para o setor sucroenergético. Segundo ele, essa expansão demanda estratégias de adaptação para que produtores de etanol de cana mantenham posição competitiva no mercado.
Otavinho destacou também que o Brasil vive um momento marcado pela transição energética e pela busca global por fontes renováveis e sustentáveis. Ele explicou que setores como o de aviação e o marítimo têm metas claras para eliminação de emissões até 2050 e que isso abre portas importantes para biocombustíveis, entre eles etanol e biodiesel. Para ele, o país reúne condições únicas para ocupar lugar de liderança nesse cenário.
Além disso, ele mencionou oportunidades ligadas à cogeração de energia por meio do bagaço da cana, ao aproveitamento de biometano da vinhaça e ao uso de gás carbônico, elementos que, segundo ele, ampliam as possibilidades de receita e tornam o setor ainda mais competitivo.
Etanol de milho no radar da Jalles
O diretor-presidente da Jalles confirmou que a empresa estuda entrar no mercado de etanol de milho. Ele explicou que o projeto está pronto e que a decisão depende do momento econômico ideal, já que investimentos de grande porte exigem condições de juros mais favoráveis. Otavinho observou que unidades que já produzem etanol de cana têm vantagem competitiva ao adaptar parte da estrutura existente, reduzindo custos e acelerando a operação.
Ele detalhou que a proximidade com regiões produtoras de milho também influencia a decisão e afirmou que, mesmo considerando custos de frete, o modelo é viável. Segundo ele, a unidade de Goianésia possui condições estruturais que favorecem a implementação do projeto e pode ser escolhida no futuro.
Transformações no emprego, tecnologia e mão de obra
Ao comentar tendências para 2026, André ressaltou que o uso de inteligência artificial será um dos principais desafios das empresas, especialmente entre pequenos empreendedores. Ele citou dados que mostram que mais de 75% dos empreeendedores ainda não utilizam nenhuma ferramenta de IA em seus negócios. Para ele, essa lacuna evidencia a necessidade de programas de capacitação e de estímulo ao uso de tecnologias que aumentem produtividade e eficiência.
Apesar disso, André enfatizou que a tecnologia não substituirá as relações humanas. “A inteligência artificial é uma ferramenta poderosa, mas não vai substituir o contato humano. Ainda gostamos de olhar no olho, conversar, criar vínculos. E isso é essencial para atrair, reter e engajar talentos”, afirmou. Ele reforçou também que a dificuldade de encontrar e manter mão de obra qualificada é um dos maiores desafios para os empreendedores em todo o país.
Otavinho concordou e acrescentou que empresas precisam investir cada vez mais em boas condições de trabalho, capacitação contínua e liderança preparada. Programas internos de qualificação, sucessão, previdência, saúde e pesquisa salarial, que ajudam a manter equipes motivadas e alinhadas às metas da empresa. Para ele, oferecer crescimento profissional, respeito e escuta ativa são medidas que fortalecem qualquer organização.
Inovação, autonomia e novas formas de trabalho
Ao comentar mudanças no mercado, Otavinho lembrou que novas alternativas de renda, como transporte por aplicativo, têm transformado o comportamento da mão de obra. Ele explicou que isso exige mais planejamento das empresas para atrair e reter profissionais. Vale ressaltar o avanço de tecnologias como ferramentas digitais e veículos autônomos, que deverão exigir reorganização das cadeias produtivas e atualização constante de competências.
Safra desafiadora e expectativas para 2026
Ao final, Otavinho apresentou um balanço da safra 2025/2026 da Jalles. Ele classificou o ciclo como positivo, porém abaixo do esperado em produtividade. Segundo ele, a irregularidade climática prejudicou o desenvolvimento da cana, especialmente em áreas mais arenosas e na produção orgânica. A queda de produtividade ficou entre 10% e 12%, o que levou a empresa a adotar medidas de contenção de despesas e ajustes operacionais.
Mesmo assim, ele demonstrou otimismo ao projetar o próximo ciclo. “A empresa é feita de ciclos. Temos desafios, mas também planejamento e capacidade de adaptação. Esperamos uma safra com produtividade maior no próximo ano”, afirmou.




