Goianésia - As exportações goianas de açúcar orgânico e vermiculita seguem entre as mais afetadas pela sobretaxa de 40% aplicada pelos Estados Unidos. Os dois produtos permaneceram fora do recuo anunciado pelo governo norte-americano na última semana, o que mantém o cenário de restrições comerciais para parte da indústria goiana.
Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), três usinas do Estado exportam mais de 100 mil toneladas de açúcar por ano para o mercado norte-americano. Esse volume corresponde a 46% de todas as importações dos EUA, o que reforça o impacto da medida para o setor. Por se tratar de um produto de alto valor agregado, a abertura de novos mercados tende a ocorrer de forma mais lenta.
O presidente da Fieg, André Rocha, explica que os efeitos da sobretaxa atingem diretamente e indiretamente as empresas brasileiras.
“Por que eu fiz questão de registrar a exportação direta? Porque existem alguns produtos… Vou dar um exemplo do couro. Não temos empresas goianas que exportam couro para os Estados Unidos, mas há empresas do Rio Grande do Sul e de São Paulo que fazem essa exportação. Quando o mercado americano se fecha para elas, passam a disputar com as goianas o mercado local ou outros mercados internacionais, como Marrocos ou China. Ou seja, indiretamente você acaba tendo um aumento da disputa. Uma questão é a importação direta, outra é a indireta”, afirmou.
Mesmo com os obstáculos, o presidente da Fieg avalia como positivos os avanços recentes nas negociações entre Brasil e Estados Unidos. Para alguns segmentos relevantes para Goiás, como o da carne vermelha, a sobretaxa foi retirada, o que deve impulsionar as vendas externas.
Rocha afirma que o trabalho continua voltado aos setores que permaneceram taxados.
“O trabalho continua. Há o esforço das próprias empresas e das associações. A CNI segue atuando junto à US Chamber, e as empresas, com seus importadores, também trabalham em conjunto. Temos escritórios de advocacia nos Estados Unidos nos auxiliando no lobby, regulamentado no país para viabilizar as exportações. Então, há esse trabalho das associações e das empresas”, destacou.
Especialistas apontam que, além das negociações bilaterais, fatores internos dos Estados Unidos, como pressões políticas e preocupação com a inflação, contribuíram para que parte das sobretaxas fosse revista nas últimas semanas.




