Empresa investe cerca de R$ 50 milhões em projetos de energia solar e pretende atender mais de 20 mil famílias goianas

Goianésia- O aumento de 19% nas tarifas de energia elétrica, autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no fim de outubro, começou a pesar no bolso dos consumidores goianos. O reajuste, que passou a valer em novembro, afeta diretamente famílias e pequenos negócios, que já enfrentam altos custos de vida e agora veem a conta de energia subir acima da inflação.

Em Goiás, esse cenário tem acelerado o interesse por fontes alternativas e renováveis de energia, especialmente a solar. O estado é um dos que mais cresce nesse setor, graças ao alto potencial de irradiação solar e à presença de um mercado consumidor sensível às variações tarifárias. A combinação entre custos elevados e necessidade de soluções sustentáveis tem impulsionado a expansão de projetos de geração distribuída, modelo em que a energia é produzida em usinas solares e compartilhada entre os consumidores.

O presidente da Evolua Energia, empresa fundada em Minas Gerais a partir de uma parceria entre as construtoras Andrade Gutierrez e Barbosa Mello, Fernando Schuffner, explicou que o impacto do reajuste é expressivo e deve ser sentido já neste mês. “Um consumidor hoje de baixa tensão, a partir de novembro, vai sentir um reflexo significativo na sua conta. Esse acaba sendo um problema para as famílias que não estão preparadas para um reajuste tão alto, bem acima da inflação”, afirmou.

Segundo ele, a alta das tarifas reforça a necessidade de se discutir o papel das fontes limpas no equilíbrio do sistema elétrico. “O Brasil ainda depende, em parte, de energia térmica, a carvão, que é poluente e causa impacto ambiental. A energia solar, por outro lado, é 100% limpa e renovável, gerada a partir do sol, um recurso natural que temos em abundância. Isso representa uma grande vantagem para estados como Goiás, que têm alto índice de radiação solar durante todo o ano.”

Energia solar cresce com novo modelo de geração

O modelo de geração compartilhada tem ganhado espaço em Goiás por permitir que o consumidor utilize energia proveniente de usinas solares sem precisar instalar painéis no telhado ou fazer investimento próprio. A energia gerada nas plantas solares é injetada na rede elétrica e convertida em créditos aplicados diretamente na conta de luz.

“Nosso intuito é vender energia para o consumidor com desconto na conta de luz, de cerca de 15%. Então, se uma pessoa gasta R$ 300 por mês, com o reajuste de 19% essa conta vai para R$ 356. Nós oferecemos um desconto sobre esse valor, trazendo o custo novamente para próximo de R$ 300. Assim, ela praticamente não sente o impacto do aumento”, explicou Fernando.

O presidente da empresa reforça que o modelo não exige investimento nem instalação de equipamentos. “Neste produto que oferecemos, não há custo de implantação, não é preciso colocar placa no telhado, nem pagar nada de entrada. O consumidor contrata o serviço e, em cerca de 60 dias, passa a receber a conta da Evolua com o desconto já aplicado.”

Goiás atrai investimentos e se destaca na geração limpa

O estado tem se tornado um dos focos de expansão do setor de energia renovável. Segundo Gabriel Villas Boas, executivo da Evolua, a empresa investiu mais de R$ 50 milhões para ampliar a oferta de energia limpa em regiões atendidas pela Equatorial. “A Evolua já está atuando em todos os municípios atendidos pela Equatorial. Esses investimentos foram feitos justamente para trazer energia renovável para casas, comércios e indústrias, principalmente para as famílias goianas que não têm acesso a esse tipo de energia em casa”, afirmou.

Ele explicou que o modelo permite que o cliente tenha acesso à energia solar sem arcar com o custo da estrutura. “Como sabem, é preciso um investimento grande para ter energia renovável em casa. O que a Evolua faz é justamente esse investimento pelos clientes. Então o cliente não tem que pagar taxa de adesão, instalação de placa nem manutenção. Ele apenas consome a energia e recebe o benefício da economia na conta”, detalhou Gabriel Villas Boas.

Atualmente, Goiás conta com quatro plantas solares em operação ligadas à empresa, cada uma com capacidade de atender cerca de 5 mil famílias, totalizando 20 mil residências beneficiadas. Gabriel também destacou que, além de reduzir custos, a energia solar pode valorizar os imóveis. “Uma casa que paga R$ 500 de energia e passa a pagar R$ 420 se torna mais atrativa para venda ou aluguel. O imóvel ganha valorização e o inquilino também se beneficia.”

“Até janeiro de 2023, era muito atrativo fazer investimento próprio em placas solares. De lá para cá, o incentivo vem diminuindo gradativamente. Como fizemos todos os nossos investimentos antes dessa mudança, conseguimos manter uma condição regulatória mais favorável. Mesmo com o aumento da tributação, o desconto que oferecemos permanece o mesmo”, explicou.

Gabriel reforçou que o momento é decisivo para quem busca reduzir o impacto do reajuste. “Quem fizer adesão agora a um modelo de energia renovável vai conseguir praticamente neutralizar esse aumento. É o melhor momento para inserir a energia solar na rotina das famílias goianas.”

Para Fernando Shuffner, a discussão sobre energia renovável vai além da economia imediata. “A transição energética é uma necessidade. O mundo caminha para fontes mais sustentáveis, e o Brasil tem todas as condições de liderar esse processo. Goiás, com sua força no agronegócio e consciência ambiental crescente, tem papel essencial nessa transformação”, concluiu.