Estudo revela que custo de vida alto e juros elevados pressionam o orçamento doméstico

Goianésia- O alerta vem dos economistas: as famílias brasileiras nunca estiveram tão endividadas. De acordo com o mais recente levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o endividamento das famílias chegou a 78,1% em outubro, o maior índice desde o início da série histórica, em 2010. O dado acende um sinal de preocupação às vésperas das principais datas de consumo do ano, Black Friday, Natal e Ano-Novo, períodos em que o uso do crédito costuma disparar.

A economista Ágata Silva explica que o perfil dos inadimplentes é bastante diversificado, mas há uma faixa etária em destaque. “O perfil de inadimplentes é bem distribuído entre homens e mulheres, geralmente na faixa dos 30 aos 39 anos, justamente o grupo com mais compromissos financeiros, como financiamento de imóvel e veículo. A tendência é que o número de inadimplentes continue alto, já que as taxas de juros permanecem elevadas, o que aperta o orçamento e reduz o espaço tanto para pagar dívidas quanto para renegociar o que está atrasado”, afirma.

Segundo o levantamento, 31% dos entrevistados afirmaram estar com contas em atraso, e 12% disseram não ter condições de pagar o que devem. O aumento do custo de vida e a manutenção dos juros altos ajudam a explicar o agravamento do quadro. Especialistas da Fundação Getulio Vargas (FGV) avaliam que a situação pode piorar até o início do próximo ano, já que muitos consumidores tendem a gastar mais nas festas de fim de ano e enfrentam dificuldades em janeiro, período de impostos e despesas escolares.

O goianiense Davi Brito afirma que, diante desse cenário, pretende conter os gastos. “Infelizmente, essa é a realidade de boa parte da população. Eu preciso priorizar o que é mais necessário e viável de pagar no momento”, comenta.

Os especialistas reforçam a orientação: planejar antes de comprar. Evitar o uso excessivo do cartão de crédito, limitar o parcelamento e definir um orçamento claro são medidas essenciais para começar 2026 com as contas equilibradas. A recomendação é simples, menos impulso, mais planejamento.