Técnica permite multiplicar descendentes de animais

Goianésia- Com as diversas possibilidades oferecidas pela estação de monta, produtores rurais têm apostado cada vez mais na transferência de embriões como estratégia para acelerar o melhoramento genético dos rebanhos. A técnica permite aproveitar o período fértil das matrizes e multiplicar o número de descendentes de animais de alto valor genético, explica a médica-veterinária Marília Menezes, especialista em reprodução de animais de grande porte voltada à bovinocultura de corte.

“Por exemplo, uma vaca de alto valor genético, registrada como PO, naturalmente produziria apenas um bezerro por ano. Com a transferência de embriões, é possível retirar vários embriões dessa fêmea e transferi-los para vacas comuns, chamadas de receptoras. São essas receptoras que levam a gestação até o parto, preservando a matriz de alto valor dos riscos da gestação e do manejo no pasto”, explica Marília.

“Com a inseminação artificial, o ganho genético é mais limitado, pois a vaca usada no processo é comum e contribui com 50% do material genético. Já na transferência de embriões, tanto o touro quanto a vaca são geneticamente superiores, o que acelera de forma significativa o melhoramento do rebanho”, complementa.

O sucesso do procedimento depende da sincronização do cio entre as vacas doadoras e as receptoras, garantindo que o embrião seja transferido no momento ideal. O controle sanitário e o acompanhamento veterinário também são fatores decisivos para alcançar boas taxas de prenhez, reforça a especialista.

“A sincronização é feita por meio de protocolos hormonais. No caso da doadora, o objetivo é provocar a superovulação, para que ela produza mais oócitos e, consequentemente, mais embriões. Já nas receptoras, a meta é sincronizar o cio com o da doadora, com diferença de até 12 horas. Após a inseminação, os embriões são coletados cerca de sete dias depois e transferidos para as receptoras que estiverem aptas, geralmente entre 70% e 80% delas. Para isso, é essencial que apresentem um corpo lúteo bem desenvolvido, estrutura que garante a manutenção da gestação”, detalha Marília Menezes.

Além de aumentar a eficiência reprodutiva, a técnica traz benefícios econômicos, pois permite multiplicar rapidamente as melhores características do plantel. “Nem todos os embriões coletados são aproveitados. Há um processo de seleção em laboratório, onde são avaliados quanto ao crescimento e à qualidade. Os embriões classificados como grau 1 e grau 2 são os mais indicados para a transferência. O embrião fresco costuma ter taxa de prenhez superior à do embrião congelado”, explica a médica-veterinária.

A nutrição adequada e o manejo correto durante a estação de monta também são determinantes para o sucesso do procedimento. Receptoras bem alimentadas e livres de estresse apresentam maior chance de manter a gestação até o parto.

“Os animais precisam estar em bom escore corporal e com oferta adequada de pastagem e suplementação. A doadora necessita de boa nutrição para produzir mais embriões, e a receptora, para manter a gestação e evitar perdas. O ideal é garantir um balanço energético positivo, especialmente no início das águas, quando o gado está se recuperando da seca. Uma suplementação proteica e mineral de qualidade faz toda a diferença no resultado final”, orienta.