Estudo revela que o poder de compra segue defasado

Goianésia- O valor do salário mínimo ideal calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apresentou leve queda em outubro, mas continua acima dos R$ 7 mil, muito distante dos R$ 1.518 pagos atualmente. O levantamento considera o custo médio necessário para sustentar uma família de quatro pessoas, levando em conta despesas básicas como moradia, alimentação, transporte e saúde.

A publicitária Jhenthuely Pires relata que o salário mínimo atual está muito aquém do necessário para garantir uma vida digna.

“O salário mínimo não está nem próximo do ideal para uma família. Por mais que o nome seja ‘mínimo’, ele não cobre o mínimo necessário. Uma família com pai, mãe e duas crianças, por exemplo, não consegue viver com um ou dois salários mínimos. A renda não bate com os gastos básicos. Estamos muito longe do ideal. Se o Dieese aponta que o valor ideal seria em torno de R$ 7 mil, estamos distantes até da metade disso. Se o mínimo fosse de ao menos R$ 3,5 mil, já ajudaria muito as famílias a manterem o básico dentro de casa, sem precisar abrir mão de tanto ou buscar sempre uma renda extra”, comenta Jhenthuely.

De acordo com o Dieese, o salário mínimo necessário para atender plenamente às despesas de uma família brasileira deveria ser de R$ 7.318,65, valor quase cinco vezes maior que o atual. O estudo aponta que a inflação dos alimentos e dos serviços essenciais continua corroendo o poder de compra do trabalhador.

A universitária Jéssica Patrícia reforça que o valor atual é insuficiente para cobrir todas as necessidades básicas.

“Hoje é muito difícil viver com apenas o salário mínimo. O valor atual não cobre alimentação, transporte, saúde e moradia. Mesmo com os reajustes anuais, o custo de vida aumenta mais rápido, principalmente com o preço dos alimentos, do aluguel, da energia e da água. Muitas pessoas precisam contar com ajuda de familiares, programas sociais ou trabalhos extras. É possível sobreviver com o salário mínimo, mas viver com qualidade e tranquilidade é muito mais complicado”, afirma.