Flexibilidade e demanda crescente tornam os apps de entrega uma alternativa viável de sustento, apesar da falta de direitos trabalhistas

 

Goianésia - O número de trabalhadores informais que encontram nos aplicativos de entrega sua principal fonte de renda tem crescido em Goianésia. A facilidade de cadastro e a flexibilidade de horários atraem quem busca um reforço no orçamento mensal.

Diante das dificuldades do mercado formal, muitos veem nessa alternativa uma oportunidade de recomeço. É o caso de Éder Ferreira, entregador no município: "A flexibilidade de horário e o rendimento podem ser superior ao de alguns empregos CLT. Fui apresentado ao aplicativo pelo meu irmão, que já trabalhava. Atualmente, trabalho com quatro aplicativos principais e o rendimento é muito melhor do que um CLT, que em média ganha R$ 35,00 por dia. Um entregador consegue fazer entre R$ 200,00 e R$ 300,00 por dia."

A demanda pelos serviços aumentou nos últimos anos. Restaurantes, lanchonetes, lojas e farmácias apostam nos aplicativos para atender consumidores em busca de praticidade e agilidade.

Apesar de ser uma importante fonte de renda, os entregadores ainda enfrentam desafios como falta de direitos trabalhistas, custos com manutenção dos veículos e insegurança nas ruas. Para o advogado trabalhista Marcos Tavares, é fundamental regulamentar a atividade e oferecer proteção e estabilidade: "Esses trabalhadores fazem contribuições irregulares, e no futuro terão dificuldades para se aposentar. O mais importante é garantir um auxílio agora, caso ocorram acidentes ou doenças. Eles trabalham de segunda a segunda, em jornadas longas, sem proteção previdenciária. Se não trabalharem, não recebem e ficam à mercê do próprio esforço."

Em Goianésia, os entregadores já fazem parte da rotina da cidade, especialmente nos horários de pico. Muitos afirmam que, com dedicação e planejamento das rotas, é possível faturar mais de um salário mínimo por mês.

Os números e relatos reforçam a importância dos aplicativos de entrega como fonte de sustento para dezenas de famílias goianesienses.