Goianésia- A poucos meses do fim do ano, o cenário financeiro no Brasil segue desafiador. Um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o SPC Brasil, revelou que mais de 40% dos consumidores brasileiros estavam com o nome negativado em setembro. A alta inadimplência preocupa o comércio, especialmente em um período tradicionalmente aquecido por datas como a Black Friday, Natal e Ano Novo.
O principal vilão das finanças pessoais, segundo especialistas, continua sendo o cartão de crédito. Para o administrador e empresário Carlos Gomes, a facilidade de acesso ao crédito acaba levando muitas famílias ao descontrole financeiro.
“As pessoas parcelam R$ 10 aqui, R$ 20 ali, R$ 30 acolá e, no fim do mês, o salário está todo comprometido. Hoje, grande parte dos brasileiros está endividada. A única forma de sair das dívidas é parar de pagar juros, que são altíssimos no Brasil. Além da carga tributária, os juros cobrados pelas instituições financeiras são um peso enorme. O país tem se tornado o paraíso do juro alto, onde os grandes bancos dominam o mercado”.
Carlos também destaca o impacto de mudanças recentes no sistema financeiro. “A criação do PIX, por exemplo, trouxe benefícios à população, mas também representou um rombo de mais de R$ 15 bilhões para o sistema financeiro. Em contrapartida, vemos redes varejistas oferecendo crédito com mais facilidade, inclusive parcelamentos em até 10 vezes sem juros.”
Segundo o estudo da CNDL/SPC, o número de brasileiros com contas em atraso é o maior desde 2016, atingindo mais de 67 milhões de pessoas. As dívidas mais comuns são referentes a cartões de crédito, contas de luz, água e empréstimos bancários.
A pesquisa também aponta que 35% dos inadimplentes pretendem usar o 13º salário para quitar parte das dívidas, enquanto 20% afirmam que vão tentar renegociar os débitos para recuperar o acesso ao crédito ainda este ano.
Carlos Gomes reforça que priorizar o pagamento das dívidas com juros mais altos deve ser a primeira medida. “Antes de adquirir qualquer bem, analise se realmente é necessário. Em vez de parcelar, veja se é possível juntar o valor antes. Todo economista sabe que o ideal é manter uma reserva de pelo menos três salários para emergências. Mas hoje, infelizmente, muitas famílias estão no negativo. É hora de rever hábitos, fazer um balanço financeiro e planejar o próximo ano com mais organização. Cada virada de ano é uma chance de recomeçar”, conclui.




