Goianésia - O preço da carne bovina voltou a subir em Goiás e tem provocado impacto direto no bolso do consumidor. De acordo com levantamento do Procon, a variação nos preços entre os estabelecimentos é expressiva. O quilo da alcatra, por exemplo, pode ser encontrado por até R$ 38,49, quase o dobro do menor valor registrado, representando uma oscilação de 108,89%. Já o filé mignon apresenta variação semelhante, custando entre R$ 23,99 e R$ 49,90. O acém, corte mais acessível, também sofreu aumento, indo de R$ 11,99 a R$ 17,98, um acréscimo de quase 50%.
Em Goianésia, os consumidores já sentem a pressão no dia a dia. A aposentada Luiza Ferreira relata as dificuldades para manter o consumo habitual: “Para mim não está fácil, não. Está muito caro. Se você quiser comer carne, você tem que aproveitar a promoção”.
No mercado atacadista, a situação também é de alta. A arroba do boi gordo em Goiás foi estimada em R$ 299,11, refletindo a pressão no varejo. Segundo o analista de mercado do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Marcelo Penha, o aumento nos preços é resultado de diversos fatores. “Tivemos um crescimento de 25% nas exportações em setembro em relação ao mesmo período do ano passado. Com o consumo interno aquecido no fim do ano, a demanda cresce e, com a oferta limitada de animais, os preços sobem”, explica.
Além da exportação, outros elementos contribuem para o cenário atual: o aumento nos custos de produção, como ração, insumos e transporte, e a pressão do dólar sobre os frigoríficos exportadores. Isso influencia diretamente o mercado interno, como destaca Sílvio Alves, presidente do Sindiaçougue em Goiás: “Os frigoríficos exportam a preços mais altos e os produtores acabam acompanhando esses valores. A carne traseira, considerada de primeira, está custando entre R$ 48 e R$ 50 o quilo, enquanto os cortes dianteiros variam de R$ 34 a R$ 39.”
Com esse cenário, a tendência é de que os preços não recuem no curto prazo. Especialistas alertam que, enquanto a oferta de animais continuar restrita e os custos de produção permanecerem elevados, a carne bovina seguirá com valores altos no mercado.




