Alta nos custos de produção impulsiona reajuste que supera a inflação acumulada no período

 

Goianésia - Com a chegada do último trimestre do ano, os panetones começam a ganhar espaço nas prateleiras dos supermercados em todo o país. Considerado um dos produtos mais tradicionais das festas de Natal, o item já movimenta o varejo, mas em 2025 chega com uma surpresa nada agradável para o consumidor: o preço médio subiu 27% em comparação ao ano passado.


Segundo fabricantes e varejistas, a alta expressiva é resultado do aumento no custo de insumos básicos como farinha de trigo, manteiga, chocolate e uva-passa, além da elevação no preço das embalagens. O reajuste acumulado supera com folga a inflação dos últimos 12 meses, que ficou em 8,7%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).


Diante desse cenário, o economista Alessandro Azone alerta para um possível impacto no comportamento de compra das famílias brasileiras. “O consumo de panetones pode não apresentar crescimento em 2025. O aumento significativo de preços, somado ao poder de compra ainda fragilizado, deve fazer com que muitos consumidores priorizem outros itens essenciais para as ceias. O panetone tem sido utilizado como presente já que seu valor está elevado”, avalia o especialista.


Em Goianésia, a alta nos preços já muda os hábitos de consumo. A dona de casa Karine Gomes decidiu economizar e encontrou uma alternativa para manter a tradição natalina sem pesar no bolso. “Esse ano eu resolvi fazer panetones caseiros. Compro os ingredientes, preparo em casa e ainda aproveito para presentear a família e os amigos. Sai mais em conta e tem um valor sentimental maior também, é um momento para ter com meus filhos e aproveitarmos”, conta.


Apesar da inflação elevada, supermercados apostam em promoções e na variedade de marcas e tamanhos para tentar manter o interesse do consumidor. No entanto, analistas preveem que o ticket médio por unidade será mais alto, com embalagens menores ocupando mais espaço nas gôndolas.