Goianésia - Os preços do leite e de seus derivados apresentaram queda expressiva em Goiás no mês de setembro, conforme aponta o Boletim de Mercado do Setor Lácteo Goiano, divulgado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). O levantamento, elaborado pela Câmara Técnica e de Conciliação da Cadeia Láctea do estado, mostra que a variação média da cesta de lácteos no atacado foi negativa, com recuo de 4,63% em relação ao mês anterior.
Entre os produtos analisados, o creme a granel liderou as perdas, com desvalorização de 9,98%. Também apresentaram queda significativa o queijo muçarela, com retração de 5,48%, o leite condensado, com 4,40%, e o leite UHT integral, com recuo de 3,90%. O leite em pó integral teve a menor variação negativa, caindo 2,62%.
O cenário é preocupante para os produtores, que já enfrentam dificuldades diante dos altos custos de produção. José Aparecido, produtor rural em Goiás, relata os desafios da atividade leiteira, que se intensificam com a queda nos preços pagos ao produtor. “É complicado. O custo é alto, e o preço do leite não acompanha. A gente vai cortando despesas, mas não é fácil manter a produção”, afirma.
Para o consultor de mercado David Augusto, a queda nos preços é resultado de diversos fatores combinados, entre eles as condições climáticas, a oscilação nos preços dos combustíveis e o aumento dos custos com fertilizantes. Ele explica que tradicionalmente o período de entressafra, entre abril e junho, provoca alta nos preços, mas neste ano esse efeito foi limitado. “Os custos de produção continuam subindo, pressionando o setor, enquanto os preços de venda não têm reagido na mesma proporção”, analisa.
Apesar do cenário desfavorável, o monitoramento contínuo da cadeia produtiva segue como ferramenta estratégica. A análise constante de dados permite que produtores e indústrias se adaptem mais rapidamente às oscilações do mercado, o que contribui para manter a competitividade do setor lácteo em Goiás.




