Goianésia- Em Goianésia, o Grupo Otávio Lage, um dos mais tradicionais do Brasil na atividade pecuária, demonstra forte resiliência no confinamento bovino, mesmo diante das tarifas impostas por mercados internacionais. A operação, conduzida sob a marca Nelore OL, mantém sua estabilidade graças ao foco no mercado interno, que continua sendo a principal fonte de receita do grupo.
Apesar da exportação ser uma frente importante para a pecuária brasileira, o gestor de pecuária do Grupo Otávio Lage, Leonardo Rios, destaca que a empresa está preparada para atravessar os desafios atuais.
“Hoje, o setor está abatendo muitos animais, tanto fêmeas quanto machos, e a suspensão das compras pelos Estados Unidos foi absorvida por outros mercados, principalmente pelo consumo interno. O preço da carne não caiu significativamente, apesar de uma leve extensão nas escalas de abate. É possível que haja uma pequena retração até novembro, mas nada drástico. A exportação para os EUA não afetou tanto o nosso negócio”, avalia Leonardo.
Segundo ele, a rentabilidade do confinamento já foi mais alta em anos anteriores, mas o grupo continua operando de forma sólida, buscando sempre maior eficiência e produtividade. “Já vivemos momentos muito mais difíceis do que o atual. Continuamos operando normalmente, analisando oportunidades de melhoria, mas sem nenhum sinal de que a atividade esteja em risco. Pelo contrário: seguimos firmes”, afirma.
Dados recentes apontam que o setor de carnes bovinas está entre os mais impactados pela nova sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos, o que eleva a tarifa total para cerca de 76,4% sobre a carne brasileira. Essa alta encarece consideravelmente a exportação para aquele mercado.
Mesmo assim, o Brasil já exportou 1,563 milhão de toneladas de carne bovina até julho de 2025, o maior volume da história para o período. O bom desempenho se deve à expansão de mercados alternativos, como México, Filipinas e Arábia Saudita, que têm absorvido parte da produção brasileira diante das barreiras impostas pelos EUA.
Leonardo Rios se mostra otimista quanto ao futuro da atividade. “Sou um entusiasta da pecuária. Vivo disso e acredito muito na força do setor. A tendência é de melhora, especialmente com a expectativa de um novo ciclo de alta entre 2026 e 2027. Portanto, não há do que reclamar neste momento”, conclui.




