Goianésia - O mercado de trabalho em Goiás alcançou números históricos no segundo trimestre de 2025. Segundo dados oficiais, o estado registrou 3,89 milhões de pessoas ocupadas, o maior número desde o início da série histórica, e a taxa de desemprego caiu para 4,4%, o menor índice em 12 anos. Os números colocam Goiás como um dos principais destaques nacionais na geração de empregos.
Esse bom desempenho é reflexo da diversidade econômica do estado, como explica o consultor empresarial Manoel Messias. “Goiás tem uma particularidade interessante: é muito forte em vários setores. Temos grandes mineradoras, indústrias, operações logísticas e agropecuárias espalhadas pelo estado não de forma homogênea, mas com impacto em diversas regiões, até mesmo em cidades pequenas. Além disso, o investimento em infraestrutura, muitas vezes vindo da própria iniciativa privada, tem sido um diferencial. É um estado empreendedor, com um povo criativo e trabalhador”, pontua.
Os setores que mais contribuíram para o crescimento foram o comércio, os serviços, a indústria e a agropecuária. Só o comércio criou mais de 800 mil vagas. Outro dado positivo é o aumento do rendimento médio mensal, que ultrapassou R$ 3.400, um avanço importante para o poder de compra da população.
Apesar dos números animadores, a realidade em algumas cidades mostra um outro lado da moeda. Em Goianésia, por exemplo, muitas vagas de trabalho continuam abertas por falta de profissionais qualificados. Faltam trabalhadores preparados, especialmente para funções técnicas
A ausência de mão de obra qualificada é hoje um dos maiores desafios para os empresários goianos, como destaca Manoel Messias. “Com a queda da taxa de desemprego, surgem novos problemas. Em Goianésia, por exemplo, vemos salários muito altos para funções como mecânico, eletricista e soldador. Já áreas administrativas acabam sendo desvalorizadas, pois há muita oferta de profissionais. O resultado é um desequilíbrio no mercado.”
Ele complementa que funções operacionais no varejo, como açougueiro e padeiro, também enfrentam escassez de profissionais. “Hoje há uma carência significativa de mão de obra técnica. O número de profissionais formados nas áreas administrativas é muito maior do que nas operacionais. Isso gera uma distorção: é mais fácil contratar para o escritório do que para a linha de produção. O desafio para o empresário é maior justamente onde há mais demanda”, afirma.




