Goianésia- O número de brasileiros com contas em atraso voltou a crescer e atingiu, em julho de 2025, o maior patamar dos últimos 22 meses. De acordo com dados divulgados pela Serasa, mais de 71,9 milhões de pessoas estão inadimplentes no país, o equivalente a quase 44% da população adulta. O cenário acende um alerta entre especialistas, que apontam para o risco crescente de superendividamento. A principal origem das dívidas segue sendo o cartão de crédito.
Para Dione Alves, morador de Goianésia (GO), o descontrole com o cartão é uma armadilha comum. “É preciso ter extremo cuidado para não sair do controle. A gente sabe que grande parte do nosso poder de compra depende do cartão. Se não houver atenção, acabamos gastando mais do que devemos, e o que era para ajudar acaba virando um grande problema”, afirma.
Em Goiás, a situação acompanha a tendência nacional. Segundo levantamento da Serasa, o número de inadimplentes no estado já ultrapassa 2,3 milhões de pessoas. Em cidades como Goianésia, o reflexo é percebido tanto por comerciantes quanto por instituições financeiras, que relatam aumento na taxa de inadimplência e na busca por renegociação de dívidas.
O educador financeiro Rafael Martins destaca a importância do planejamento financeiro para prevenir o acúmulo de dívidas. “Muitas pessoas gastam sem um orçamento definido e acabam comprometendo parte significativa da renda com parcelas e juros. É preciso rever hábitos e priorizar o que realmente é necessário.”
Carlos Alcântara reforça que, para sair da inadimplência, é essencial mudar a relação com o consumo. “O crédito pode ser uma oportunidade de reorganizar a vida financeira e alavancar o consumo de forma responsável. Mas é fundamental mudar o comportamento: cartão de crédito não é complemento de renda. Também é importante evitar, ao máximo, emprestar o nome para terceiros, uma prática que costuma causar grandes prejuízos a quem ajuda”, alerta.
Para quem deseja sair da inadimplência, o primeiro passo é listar todas as dívidas, identificar aquelas com juros mais altos e buscar renegociações com os credores. Especialistas afirmam que, com disciplina, planejamento e, se possível, apoio profissional, é possível recuperar o equilíbrio financeiro.
A recomendação é clara: evite contrair novas dívidas enquanto não quitar as antigas. Além disso, investir em educação financeira pode ser uma ferramenta poderosa para evitar a reincidência e garantir maior estabilidade econômica no futuro.




