Crédito facilitado e diálogo com compradores são apostas para reduzir prejuízos

Goianésia- Com a imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos, empresas exportadoras de Goiás enfrentam um cenário desafiador. O tarifaço, que incide diretamente sobre diversos produtos do agronegócio, afeta indústrias locais e exige a adoção urgente de estratégias para manter a competitividade no comércio exterior. Entre as principais medidas adotadas pelas empresas estão o redirecionamento de exportações, a busca por novos mercados e a renegociação de contratos com compradores internacionais.

Em Goianésia, a Jalles Machado já está reavaliando suas operações para minimizar os impactos da nova política tarifária. Segundo o diretor comercial da empresa, Henrique Penna, o açúcar orgânico exportado para os EUA representa 6% do total das vendas anuais. “Hoje, 94% das nossas exportações vão para outros países, seja na forma de açúcar comum, açúcar orgânico ou etanol. Mas os 6% destinados aos Estados Unidos já estão sujeitos à nova tarifa de 50%. Por isso, estamos conversando individualmente com cada cliente, avaliando o impacto e entendendo até que ponto eles conseguirão absorver esse custo ou se deixarão de comprar, dependendo do preço”, explica.

Como forma de mitigar os efeitos do tarifaço, o Governo de Goiás lançou, no último dia 5 de agosto, o Programa de Fundo Creditório, apresentado na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). O programa disponibilizará R$ 800 milhões em crédito com juros de 10% ao ano, valor abaixo da média de mercado e será constituído por créditos de ICMS e recursos captados junto ao setor financeiro.

Para Henrique Penna, o suporte do governo estadual é essencial neste momento. “O governador Ronaldo Caiado se posicionou desde o início de forma muito positiva e proativa. Ele nos garantiu apoio para que o impacto não seja tão drástico. Com esse fundo, as empresas podem respirar, manter operações e, quem sabe, daqui a um ano, estarem em uma situação melhor. Ainda há detalhes a serem definidos, mas o importante é que há abertura para diálogo e propostas, como o uso do crédito outorgado, que já atende o setor sucroenergético e pode ser estendido a outras empresas impactadas”, afirmou.

Em meio à instabilidade gerada pelas novas tarifas e à incerteza quanto aos impactos de longo prazo, as empresas goianas seguem focadas em renegociar contratos e encontrar soluções sustentáveis para preservar seus negócios. A rápida adaptação às mudanças e o acesso a crédito com condições competitivas tornam-se, neste momento, fatores determinantes para que Goiás mantenha sua relevância no cenário internacional das exportações do agronegócio.