Goianésia- Diante do aumento expressivo dos golpes virtuais, o Banco Central tem intensificado esforços para proteger os usuários do PIX. Segundo dados da Febraban, somente em 2023 foram registradas mais de 2 milhões de tentativas de fraude relacionadas ao sistema de pagamentos instantâneos no Brasil.
Para enfrentar esse cenário, entrou em vigor o MED 2.0, uma versão aprimorada do Mecanismo Especial de Devolução. A nova medida amplia o rastreamento de valores em transações suspeitas e permite o bloqueio de recursos tanto nas contas de origem quanto de destino, com mais agilidade e precisão.
A advogada Ana Francisca Carvalho, especialista em sistema bancário, destaca os avanços do novo mecanismo. “O MED, criado em 2021, é uma ferramenta exclusiva do PIX, pensada para facilitar a devolução de valores em casos de fraudes. Ele aumenta significativamente as chances de a vítima reaver o dinheiro. Em uma realidade onde grande parte das transações ocorre no ambiente virtual, o que traz praticidade, mas também mais riscos , esse tipo de proteção é fundamental”, afirma.
Ana também ressalta que a velocidade de resposta é essencial: “Como o PIX é instantâneo, o dinheiro entra imediatamente na conta de quem recebe. Portanto, agir rápido é crucial. O sucesso da devolução depende da disponibilidade dos recursos na conta do destinatário. O MED 2.0 melhora essa possibilidade ao permitir uma atuação mais eficaz na localização e no bloqueio desses valores.”
A medida não beneficia apenas consumidores. Em cidades como Goianésia, onde o comércio eletrônico e os pagamentos digitais ganharam força nos últimos anos, muitos empreendedores já enfrentaram situações envolvendo contas clonadas ou fraudes com PIX agendado.
O empresário Alex Cruz, sócio de uma cafeteria na cidade, comenta os desafios enfrentados. “O PIX realmente facilitou muito a nossa rotina no comércio, mas existem riscos. O golpe do PIX agendado, por exemplo, é muito perigoso. Por isso, aqui na Times temos o cuidado de conferir todos os comprovantes enviados pelos clientes. A pessoa manda o print para o telefone da empresa, e o caixa verifica se está no horário e data corretos. Se estiver agendado para outro dia, a venda não é concluída. Felizmente, nunca passamos por esse problema, mas é algo que exige atenção constante, especialmente em cidades maiores, onde esses golpes são mais comuns”, relata.
Com a implementação do MED 2.0, o Banco Central espera aumentar a confiança da população no sistema de pagamentos instantâneos, tornando o processo de devolução mais eficaz e transparente. A expectativa é que, com mecanismos mais robustos de segurança, o uso do PIX continue crescendo, mas com maior proteção para usuários e empresas.




