Goianésia - A indústria goiana pode sofrer perdas significativas de postos de trabalho caso os Estados Unidos confirmem a taxação de 50% sobre produtos brasileiros, medida que pode entrar em vigor já no dia 1º de agosto. O alerta é do presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás, Edwal Portilho, conhecido como Tchequinho.
Segundo ele, as consequências para o setor produtivo seriam graves: “Há duas saídas aí, para os empresários e para as empresas: vão reduzir a sua produção, e aí o impacto na cadeia de empregos também, que é o que mais pode prejudicar diretamente os trabalhadores. A empresa pode se reposicionar com uma produção menor para atender a um mercado reduzido, o que significa menos PIB, menos arrecadação e menos emprego. É um ciclo vicioso em que ninguém ganha”, explicou.
Cancelamentos já em andamento
Mesmo antes da possível implementação da tarifa, os efeitos já começaram a ser sentidos. De acordo com Tchequinho, contratos com compradores dos EUA estão sendo suspensos preventivamente, o que afeta diretamente três cadeias de exportação líderes em Goiás: carne bovina, ferro-níquel e açúcar.
“Os compradores nos Estados Unidos já se posicionaram rescindindo contratos e não estão recepcionando novos produtos porque não sabem se a tarifa entrará em vigor a partir do dia 1º.”
Carne lidera as exportações goianas
Dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) mostram que cerca de 61% das exportações goianas para os EUA são de carnes, especialmente bovina. A carne produzida em Goiás é usada amplamente na indústria de hambúrgueres americana e tem alto valor agregado.
No entanto, o impacto já começa a ser visível no mercado interno: o preço da arroba do boi caiu nos últimos dias em Goiás, reflexo da insegurança dos exportadores e da retração nos contratos.




