Goianésia- A escassez de trabalhadores qualificados na construção civil tem gerado uma verdadeira reação em cadeia em Goianésia: obras atrasadas, aumento nos custos e dificuldade para contratação de profissionais experientes. Segundo levantamento recente, sete em cada dez empresários do setor afirmam ter dificuldades em encontrar mão de obra capacitada.
O construtor Anderson Aciole detalha o cenário. “O Brasil, como um todo, enfrenta hoje uma carência de mão de obra no setor da construção civil. Mais de 70% das empresas têm dificuldade para contratar. Muitos profissionais migram para outros segmentos mais atrativos, que oferecem melhores condições de trabalho, mais autonomia, flexibilidade e tecnologia. Isso dificulta não só a retenção de trabalhadores, mas também a migração de profissionais de outros setores para a construção civil”, afirma.
Com a alta demanda e a baixa oferta, os salários aumentaram. A mão de obra foi o item que mais pressionou a inflação da construção civil nos últimos 12 meses, com alta de 9,75%, superando o aumento nos custos de materiais, equipamentos e serviços.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO), Hidebrair Freitas, considera a situação preocupante. “Temos contratos firmados, cronogramas para cumprir e prazos de entrega. A economia está aquecida e vivemos praticamente o pleno emprego, o que aumenta a competição por profissionais. Mesmo assim, seguimos buscando alternativas para cumprir os prazos e entregar nossas obras conforme o planejado”, ressalta.
Uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas reforça a gravidade do problema: 82% das empresas da construção civil relatam dificuldades na contratação de novos trabalhadores. Essa realidade abriu espaço para pessoas sem experiência na área, como é o caso do goianesiense Renato Ferreira, que encontrou no setor uma nova oportunidade.
“Fiquei desempregado e ninguém queria me contratar. Tenho família para sustentar e precisava de uma chance. Passei na frente de uma obra, o pessoal me chamou, mesmo sem ter qualificação registrada na carteira. Comecei a trabalhar, mostrei serviço e, em três meses, fui efetivado. Agora estou buscando me capacitar, porque quero continuar nesse mercado”, conta.
A consequência dessa escassez é clara: 21% das empresas estão com obras atrasadas e 18% já revisaram os preços dos empreendimentos, justamente por não conseguirem cumprir os prazos previstos em contrato. A falta de profissionais qualificados virou, hoje, um dos principais gargalos para o setor da construção civil em Goianésia e em diversas outras regiões do país.




