A prática permite produzir alimentos no presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações

Goianésia- A agricultura regenerativa tem ganhado cada vez mais espaço como uma alternativa sustentável que alia produtividade e preservação ambiental no campo. Baseada na recuperação do solo, no uso responsável dos recursos naturais e na proteção da biodiversidade, a prática permite produzir alimentos no presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações.

Em municípios com forte presença da agricultura familiar, como a região de Goianésia, pequenos e médios produtores começam a adotar o modelo regenerativo como uma forma de aumentar a eficiência produtiva e conservar os recursos naturais.

A bióloga Carla Salustiano destaca a abrangência da prática. “A agricultura regenerativa envolve um conjunto de ações realizadas pelos produtores, mas que dependem também de diversos atores ao longo da cadeia produtiva. Indústrias, consumidores e instituições têm papel fundamental, seja na valorização dos produtos regenerativos, seja no incentivo à sua adoção. A pressão por sustentabilidade no mercado global vem sendo uma força motriz importante para essa mudança”.

Entre as principais técnicas da agricultura regenerativa estão a rotação de culturas, o uso de adubação verde, o plantio direto, a cobertura do solo com palhada e a redução no uso de agrotóxicos. Essas práticas não apenas melhoram a fertilidade do solo e aumentam a produtividade, como também ajudam a conservar a água, prevenir a erosão e reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Carla ressalta que os impactos vão muito além da questão climática. “Mais do que reduzir emissões, a agricultura regenerativa tem foco na saúde do solo. O uso desequilibrado de produtos químicos, por exemplo, pode comprometer sua estrutura e fertilidade. Da mesma forma, a ausência de práticas como o plantio direto ou a monocultura contínua favorecem a compactação, a erosão e o aumento de pragas e doenças. A diversidade é essencial para manter o solo vivo e produtivo”.

Nas propriedades familiares, mesmo pequenas mudanças já fazem diferença. Preservar áreas de vegetação nativa, reaproveitar resíduos orgânicos das lavouras e diversificar o plantio são passos importantes para tornar o sistema mais resiliente e sustentável.

Instituições de assistência técnica recomendam que os produtores busquem orientação especializada para adotar as práticas corretamente e potencializar os resultados no campo. A agricultura regenerativa representa um novo olhar sobre a produção de alimentos: mais conectada à natureza, ao consumidor e ao futuro do planeta.