Goianésia - Com a taxa Selic em 15% ao ano, o crédito no Brasil se tornou significativamente mais caro, e quem mais sente esse impacto são as micro, pequenas e médias empresas. De acordo com o Banco Central, os empréstimos para esse grupo totalizaram R$ 1,179 bilhão em maio — uma alta de 11,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior, puxada principalmente pelo capital de giro.
No entanto, o problema não se resume ao aumento dos custos do crédito. A inflação ainda pressionando o consumo, aliada aos juros elevados, contribui para o crescimento da inadimplência. Em abril, aproximadamente 90% dos pedidos de recuperação judicial no país vieram de pequenos negócios, o que revela o cenário desafiador enfrentado por esse setor.
O economista Danilo Orsida explica que os juros altos, que são uma resposta ao risco, acabam se tornando parte do problema. "Os bancos justificam a taxa de juros alta no Brasil devido à alta inadimplência, mas se analisarmos sob outra ótica, podemos perceber que a inadimplência é, em grande parte, resultado dos próprios encargos elevados. As altas taxas de juros transformam algumas dívidas, como no caso do cheque especial ou do limite do cartão rotativo, em dívidas impagáveis em pouco tempo. Esse é um grande paradoxo: enquanto os juros altos são sustentados pela inadimplência, a própria inadimplência é, muitas vezes, provocada por essas taxas", afirma Orsida.
Em um cenário de juros elevados, os empreendedores precisam estar atentos aos contratos de crédito. Analisar com cuidado os juros, encargos e penalidades por atraso pode ser a chave para evitar o endividamento excessivo. Além disso, buscar alternativas mais acessíveis, como linhas de financiamento oferecidas por programas de fomento do governo, pode ser uma opção mais vantajosa.
Larissa Ribeiro, gerente da Central do Sebrae Goiás, reforça a importância do conhecimento sobre economia para a sobrevivência dos pequenos negócios. "Vejo esse cenário econômico como uma oportunidade para os pequenos empreendedores, desde que haja capacitação gerencial e educação financeira. Observar o cenário externo e entender os riscos da inadimplência são fatores fundamentais. Empreendedores precisam se adaptar e inovar dentro dos seus negócios para aumentar sua taxa de sobrevivência", destaca Ribeiro.




