Esse cenário tem gerado preocupações no setor agropecuário

Goianésia- A produção de leite no Brasil continua em alta, mas a falta de uma demanda correspondente tem pressionado os preços pagos aos produtores. Esse cenário tem gerado preocupações no setor agropecuário, com margens apertadas e o risco à sustentabilidade da atividade.

A consultora especializada Angelica Oliveira explica que o aumento da produção foi impulsionado pelas chuvas, que favoreceram o crescimento da pastagem e, consequentemente, a produção de leite. "O que motivou essa queda nos preços foi o aumento do volume de produção. Desde novembro, já observávamos um crescimento significativo, resultado das chuvas e dos preços atrativos da suplementação alimentar do ano passado. Um bom alimento para o animal se traduz em maior produção", afirma Oliveira.

De acordo com dados do Cepea, a produção de leite se manteve estável entre março e abril, mesmo em plena entressafra. No entanto, a demanda do varejo continua enfraquecida, o que resultou em uma queda nos preços ao nível mais baixo registrado desde março de 2021. A combinação de clima favorável e custos reduzidos de alimentação manteve a produção elevada, criando um desequilíbrio entre oferta abundante e baixa procura.

A agrônoma Cirlene Vieira destaca que a queda nos preços também está ligada ao custo de produção do leite. "Durante esse período, o preço do leite cai para o produtor, mas também precisamos entender que nossos custos diminuem. Com o pasto abundante devido às chuvas, não é necessário fornecer sal proteico, apenas sal mineral", explica Vieira.

Em Goianésia, a realidade segue a tendência nacional. De acordo com produtores locais, o preço do litro do leite pasteurizado varia entre R$ 3,00 e R$ 4,00, enquanto o leite de caixinha é comercializado entre R$ 3,00 e R$ 5,00.