Taxa de juros é um dos fatores mais preocupantes

Goianésia - O número de pessoas com dificuldades para honrar o pagamento de veículos financiados tem apresentado um crescimento alarmante, conforme dados recentes do Banco Central. O levantamento considera os atrasos superiores a 90 dias nos financiamentos de carros 0 km, um indicativo claro da precariedade financeira enfrentada por muitos consumidores.

O economista e advogado Danilo Orsida explica os efeitos dessa inadimplência sobre o orçamento das famílias: “A alta das taxas de juros, associada à instabilidade econômica, cria um cenário onde muitos consumidores não conseguem mais acompanhar as parcelas, prejudicando gravemente o equilíbrio financeiro das famílias. Isso resulta em um efeito cascata, onde o comprometimento da renda mensal impacta diretamente nas condições de vida de muitos cidadãos."

Em 2023, o índice de inadimplência nos financiamentos de veículos era de 3,9%. Em 2024, esse número saltou para 5,4%, representando um aumento considerável no volume de dívidas não quitadas.

Em cidades como Goianésia, muitos moradores, como o comerciante Rony Alves, vivem essa realidade de perto. Ele relata que, apesar de tentar regularizar sua situação há meses, o impacto da elevação das taxas de juros tem dificultado o pagamento das parcelas em atraso de seu financiamento: “Nunca imaginei que enfrentaria uma situação como essa. As parcelas subiram consideravelmente, e com o aumento da taxa de juros, a dívida só cresce. Estou tentando de todas as formas não perder o carro, mas está ficando cada vez mais difícil", desabafa.

Especialistas alertam que a principal consequência dessa inadimplência é a busca e apreensão do veículo financiado. Se o consumidor não saldar as parcelas pendentes, o banco ou a instituição financeira poderá recuperar o bem e levá-lo a leilão para cobrir o valor em aberto. Segundo Orsida, "esse ciclo de inadimplência não é bom para ninguém. As instituições financeiras enfrentam prejuízos com os veículos não pagos, enquanto os consumidores, além de perderem o bem, acabam se endividando ainda mais."