Goianésia - Muito além das vitrines e das tendências de cada temporada, a moda desempenha um papel na forma como as pessoas se apresentam, constroem a própria identidade e se relacionam com o mundo. Roupas, acessórios e estilos podem transmitir sentimentos, preservar memórias, representar costumes e marcar diferentes fases da vida. Em Goianésia, profissionais e estudiosos do tema destacam como as escolhas relacionadas ao vestuário são influenciadas por experiências pessoais e por aspectos históricos, culturais e sociais.
Da passarela à criação
A estilista e empresária goianesiense Thaylla Maylla, fundadora da marca Loreli, encontrou na moda uma trajetória profissional que começou diante das câmeras e nos bastidores de produções. A experiência como modelo despertou o interesse pela criação e levou à formação em Design de Moda.
“A minha história começou como modelo. Foi ali, nos bastidores, nos desfiles, nas produções e nas campanhas, que eu me apaixonei por esse universo. Mas, com o tempo, eu percebi que eu não queria apenas vestir uma criação, sabe? Eu queria criar. Foi então que eu decidi me formar em Design de Moda.”
Segundo Thaylla, a decisão transformou sua percepção sobre o setor e ampliou a compreensão sobre o impacto que uma peça pode exercer na vida de quem a utiliza.
“Essa decisão mudou completamente a minha vida. Passei a enxergar a moda de uma forma mais profunda, entendi que a roupa pode despertar sentimentos, marcar momentos e até transformar a forma como uma pessoa se vê. Depois dos desafios de empreender, então nasceu a Loreli.”
Vestidos que carregam histórias
A atuação com noivas também contribuiu para consolidar a visão da estilista sobre a relação entre roupa, memória e significado. Para Thaylla, cada vestido representa mais do que uma peça confeccionada para uma ocasião específica.
“Comecei a trabalhar com noivas e descobri que cada vestido carrega mais do que um tecido. Ele carrega histórias, sonhos e expectativas de um dos dias mais importantes na vida de uma mulher.”
A experiência reforçou, segundo ela, a necessidade de desenvolver criações que estejam relacionadas à identidade de quem as veste.
“Cada projeto reforçou ainda mais a certeza de que a moda precisa ter identidade, propósito e verdade.”
Cultura e comportamento influenciam o modo de vestir
A forma de se vestir também está relacionada ao ambiente em que cada pessoa vive e às experiências acumuladas ao longo da vida. Aspectos históricos, culturais e sociais ajudam a determinar referências, costumes e maneiras de expressão.
A acadêmica de História da Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Goianésia, Isadora Borges, explica que essas influências podem ser percebidas tanto nas tradições familiares quanto nas características de cada região.
“As referências que a gente tem do lugar onde a gente está podem vir da nossa família ou da região onde a gente vive. Muitas regiões do Brasil têm vestimentas específicas.”
Como exemplo, Isadora cita uma característica marcante de Goiás, relacionada à atividade agropecuária e à cultura do estado.
“Aqui em Goiás, as pessoas se vestem bastante assim, de cowboy, por conta de Goiás ser um estado mais agropecuário.”
A acadêmica ressalta, porém, que não existe uma única maneira de se vestir dentro de uma mesma região. As experiências individuais também interferem nas escolhas.
“Mas isso vai de lugar para lugar. Mesmo em Goiás, a gente tem pessoas que se vestem de uma maneira mais diferente, por conta da história e da socialização daquelas pessoas, de onde elas estiveram, onde elas passaram, como foram criadas. E isso tudo influencia muito no jeito que a gente se veste.”
Para Isadora, o vestuário também funciona como uma ferramenta de comunicação e expressão pessoal.
“O jeito que a gente se veste é uma forma de se expressar com o mundo e de se comunicar através da moda.”
Moda como registro da sociedade
As escolhas relacionadas ao vestuário ultrapassam o acompanhamento de tendências. Elas também podem revelar transformações sociais e diferentes formas de convivência, pertencimento e manifestação cultural.
Nesse contexto, a moda pode preservar elementos da história de comunidades e famílias, transmitir valores e representar experiências individuais ou coletivas. A maneira de se vestir, portanto, não está restrita à estética: também pode funcionar como forma de expressão, identificação e preservação da memória.
Ao reunir referências pessoais e coletivas, a moda acompanha as mudanças da sociedade e evidencia a diversidade cultural existente em diferentes regiões e grupos. Assim, cada escolha de vestuário pode carregar significados que vão além da aparência e contribuir para contar histórias sobre quem somos, de onde viemos e como nos relacionamos com o mundo.




