Imagens da montagem levantaram dúvidas sobre o cumprimento das medidas de proteção exigidas.

Goianésia - A gravação de um DVD realizada em frente à Igreja Nosso Senhor do Bonfim, em Pirenópolis, será submetida à avaliação técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O objetivo é apurar se a instalação da estrutura do evento e a realização do espetáculo causaram danos ao patrimônio histórico tombado. A igreja está interditada desde abril, após um laudo identificar rachaduras e comprometimento estrutural, situação que motivou o isolamento da área por questões de segurança.

A apresentação ocorreu no último fim de semana e reuniu centenas de pessoas durante a gravação do DVD da dupla sertaneja Rogério e Regiane. O palco foi montado no gramado em frente ao templo, localizado em uma área que integra o conjunto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e histórico de Pirenópolis, tombado pelo Iphan desde 1988. A realização do evento gerou questionamentos de moradores e especialistas, que manifestaram preocupação com possíveis impactos à edificação histórica.

Igreja segue interditada por risco estrutural

A Igreja Nosso Senhor do Bonfim permanece fechada desde abril, quando um laudo técnico apontou a existência de rachaduras e comprometimento em sua estrutura. Diante da avaliação, a Prefeitura de Pirenópolis isolou um raio mínimo de sete metros ao redor da fachada e encaminhou o relatório técnico ao Iphan para acompanhamento e definição das medidas de preservação.

Prefeitura solicitou autorização ao Iphan

Antes da realização da gravação, a Prefeitura de Pirenópolis solicitou autorização ao Iphan para utilização da área. No pedido, informou que o evento faria uso apenas de som ambiente e que seriam adotadas todas as medidas necessárias para garantir a proteção do patrimônio histórico e evitar qualquer interferência na estrutura da igreja.

O instituto autorizou a realização da gravação, mas condicionou a permissão ao cumprimento de uma série de exigências técnicas. Entre elas, determinou que todas as estruturas fossem autossustentáveis, sem perfurações no calçamento histórico, e instaladas sobre bases de madeira capazes de distribuir o peso e reduzir atritos ou sobrecargas sobre o piso.

Imagens levantam dúvidas sobre cumprimento das exigências

Após a realização do evento, imagens divulgadas nas redes sociais passaram a levantar questionamentos sobre o atendimento às condições estabelecidas pelo órgão federal. Os registros mostram que parte da estrutura aparentava estar apoiada diretamente sobre bases metálicas, o que gerou dúvidas quanto ao cumprimento integral das medidas de proteção previstas na autorização.

Em razão da repercussão, o Iphan informou que realizará uma vistoria técnica para verificar se houve qualquer impacto ao patrimônio histórico. O instituto também destacou que a exposição recorrente de edificações tombadas a elevados níveis de vibração sonora pode comprometer sua estabilidade estrutural, tornando necessária uma avaliação detalhada das condições do imóvel após o evento.

Moradores questionam escolha do local

A realização da gravação também foi alvo de críticas por parte de moradores de Pirenópolis. Segundo relatos, a concentração de público, a montagem da estrutura e o volume do som poderiam representar fatores adicionais de risco para uma construção que já apresenta fragilidade estrutural e permanece interditada preventivamente.