Em Goianésia, áreas como manutenção, alimentação, logística e vendas encontram dificuldades para preencher vagas disponíveis

Goianésia - A dificuldade para encontrar trabalhadores qualificados deixou de ser um problema pontual e passou a fazer parte da realidade de empresas de diferentes segmentos da economia. Em Goianésia, setores como manutenção, bares, restaurantes, serviços noturnos, logística e comércio relatam obstáculos para encontrar profissionais preparados e disponíveis para ocupar as oportunidades existentes.

O gestor empresarial Manoel Messias acompanha esse cenário e afirma que a escassez de mão de obra tem causas diversas e reflete uma realidade observada em todo o país. Para ele, as mudanças culturais e o maior acesso à educação contribuíram para transformar o perfil profissional das novas gerações.

Mudanças no perfil dos trabalhadores

Segundo Manoel Messias, uma das transformações está relacionada às escolhas profissionais dos jovens. Ele compara o cenário atual com o de décadas anteriores, quando era mais comum a continuidade da profissão dentro das famílias.

“Antigamente, o filho do pedreiro era pedreiro, o neto do pedreiro era pedreiro. Hoje, o filho do pedreiro faz medicina. O acesso à educação é muito mais fácil hoje em dia”, afirmou.

Em Goianésia, a dificuldade de contratação é percebida principalmente em funções de manutenção, além de bares e restaurantes, que enfrentam obstáculos para preencher postos como garçom e profissionais de cozinha. O trabalho noturno também aparece entre as áreas com maior dificuldade de recrutamento.

“Trabalho noturno, em geral, é uma coisa que as novas gerações não têm tido interesse. Está tendo muita dificuldade de contratar profissionais para trabalhar à noite”, explicou.

Logística e vendas também têm vagas

As dificuldades não estão restritas às atividades operacionais. Diante da variação de preços, da inflação e da alta do dólar, o gestor destaca a necessidade de as empresas manterem controles eficientes para reduzir perdas e melhorar os processos internos.

Nesse contexto, setores ligados a estoque, transporte e almoxarifado apresentam oportunidades de trabalho, inclusive com remunerações consideradas atrativas, mas ainda encontram dificuldades para preencher os cargos.

A área comercial também demanda profissionais. Segundo Manoel Messias, empresas têm buscado vendedores com capacidade de comunicação e conhecimento sobre os produtos oferecidos.

“Hoje, é uma dificuldade muito grande para contratar vendedores, pessoas comunicativas, pessoas que conhecem o produto, para estar impulsionando a empresa na área de vendas”, declarou.

Qualificação e conexão com o mercado

Na avaliação do gestor, parte do problema está relacionada à dificuldade de aproximação entre as novas gerações e determinadas áreas profissionais. Ele cita obstáculos na formação para atividades de manutenção e aponta características que, segundo sua avaliação, dificultam o preenchimento de algumas funções.

“As novas gerações têm muita dificuldade de fazer, têm muito bloqueio para esses cursos da área de manutenção, são menos comunicativas, são pessoas mais introvertidas, não têm interesse de trabalhar à noite e também têm muito mais dificuldade de desenvolver tarefas complexas”, afirmou.

No comércio e na prestação de serviços, além do conhecimento técnico, as empresas procuram trabalhadores preparados para lidar diretamente com o público.

O cenário também é observado em profissões como mecânico, eletricista e borracheiro, que, conforme o gestor, ainda são exercidas majoritariamente por trabalhadores mais experientes. A ausência de continuidade na formação de novos profissionais e a dificuldade de permanência nas empresas ampliam a carência nesses segmentos.

“Tudo que a gente percebe hoje que falta de profissionais é por conta da nova geração, que tem pouca conexão com o mercado de trabalho real”, avaliou.

Para Manoel Messias, essa falta de conexão significa que parte dos jovens não conhece ou não se direciona para as áreas que efetivamente apresentam demanda por trabalhadores.

“O que seria isso? Tem pouca conexão com aquilo que realmente as empresas precisam, que estão aí nessas áreas. Hoje, para ver mecânicos, para ver eletricistas, para ver borracheiros, normalmente são pessoas mais velhas, acima de 30 anos. Então, como esses novos profissionais não estão se formando, essas pessoas não têm interesse nessas áreas, esses segmentos ficam mais carentes”, explicou.