Fenômeno climático pode afetar inflação, produção agrícola, energia e crescimento econômico, aumentando os riscos para empresas e produtores

Goianésia - As mudanças nas condições climáticas têm ampliado as dificuldades para projetar o comportamento da economia. Com a chegada do fenômeno El Niño, especialistas alertam que alterações no regime de chuvas e nas temperaturas podem interferir em indicadores como inflação, produção agrícola e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Em Goiás, os efeitos podem atingir principalmente atividades ligadas ao agronegócio e ao setor energético, além de provocar impactos indiretos em outras áreas.

Clima aumenta riscos para a economia

Agricultura, geração de energia, transporte marítimo e seguros estão entre os segmentos mais expostos ao chamado risco climático. Segundo o economista Eurípedes Junior, ainda não é possível dimensionar completamente os efeitos do fenômeno, mas a possibilidade de alterações nas condições hídricas já representa um ponto de atenção.

“Podemos ter uma redução nas reservas das bacias hidrelétricas, o que pode impactar não apenas o preço da energia, mas também provocar falta de água, dificuldades no fornecimento de energia elétrica e problemas de abastecimento nas cidades, com reflexos no campo.”

O especialista ressalta que Goiás e a região podem sofrer consequências relevantes, embora a dimensão dos impactos ainda não possa ser determinada.

“Os impactos aqui para o estado de Goiás e para a nossa região são bastante significativos, mas, neste momento, ainda são imensuráveis, porque estamos no início de tudo o que está acontecendo.”

Agronegócio entre os setores mais vulneráveis

As mudanças no volume e na distribuição das chuvas, acompanhadas de alterações nas temperaturas, podem afetar diretamente o calendário agrícola. O cenário pode comprometer períodos de plantio, reduzir a produtividade das lavouras e elevar os custos de produção.

Para Eurípedes Junior, diante das incertezas, produtores e empresas precisam adotar mecanismos de proteção capazes de reduzir os efeitos de eventuais perdas ou oscilações de preços.

“O planejamento e a proteção, e aqui eu falo no sentido de buscar mecanismos para proteger preço, produção, seguro rural e seguro de produção como um todo, tornam-se muito importantes para evitar grandes surpresas, principalmente negativas.”

Além do campo, os efeitos podem alcançar outros segmentos, já que alterações na produção e nos custos tendem a repercutir sobre preços, transporte, energia e decisões de investimento.

Incerteza dificulta planejamento

A dificuldade de antecipar a intensidade e a duração dos efeitos climáticos também aumenta os desafios para empresas, investidores e gestores públicos. A imprevisibilidade pode influenciar decisões sobre investimentos, produção e estratégias econômicas.

Um levantamento da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica aponta que os efeitos acumulados de eventos associados ao El Niño podem provocar uma redução de até 12% no Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul até 2050.