Goianésia - Garantir a continuidade das propriedades rurais vai muito além da transferência da posse da terra entre gerações. O processo de sucessão familiar exige planejamento, organização e diálogo para assegurar a permanência da atividade agrícola e evitar conflitos que possam comprometer o futuro do negócio. Especialistas alertam que a ausência de um planejamento estruturado pode resultar em dificuldades de gestão, disputas entre herdeiros, perda de produtividade e até mesmo no encerramento das atividades, especialmente nas pequenas propriedades rurais.
De acordo com o analista do Sebrae Goiás, José Neto, a sucessão familiar continua sendo um tema sensível para muitas famílias do campo, que frequentemente adiam essa discussão. Segundo ele, a falta de diálogo e de preparação dos futuros gestores está entre os principais obstáculos para uma transição segura.
"A sucessão familiar hoje é um assunto muito difícil, principalmente nas pequenas propriedades rurais. Muitas famílias deixam esse assunto para depois. Sem planejamento, o negócio pode perder produtividade, gerar conflitos entre os herdeiros e até mesmo deixar de existir."
O especialista destaca que um dos erros mais comuns é evitar conversas sobre o futuro da propriedade, além de não preparar os sucessores e misturar as relações familiares com a administração do empreendimento rural.
"Os principais erros das famílias nesse processo, sendo o maior deles, é não conversar sobre o futuro da propriedade. Também é comum não preparar os sucessores e misturar questões familiares com a gestão dos negócios. O Sebrae hoje tem um trabalho muito importante na organização da gestão das propriedades, em preparar os sucessores, orientar as famílias e fazer o planejamento dessa sucessão para que a transição ocorra de forma segura e sustentável."
Além do planejamento, especialistas apontam que incentivar os jovens a permanecerem no meio rural é uma das principais condições para garantir a sucessão familiar. O agricultor Antônio Borges Moreira, proprietário do Sítio Raio de Sol e ex-diretor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Goiás (Fetaeg), afirma que a renovação da mão de obra é indispensável para manter as propriedades produtivas e fortalecer a agricultura familiar.
"A sucessão rural tem uma importância muito grande, porque nós, agricultores familiares, temos nossas empresas, e elas são tocadas, administradas pelos próprios agricultores, pelos próprios donos."
Segundo o produtor, a inserção das novas gerações na gestão das propriedades é essencial para assegurar a continuidade da produção de alimentos e enfrentar os desafios do setor.
"A mão de obra precisa ser renovada, e essa gestão da propriedade precisa ter a inserção dos jovens nesse contexto. Isso é muito importante porque precisamos produzir alimentos de qualidade, sair dessa lógica de produzir apenas commodities. Quem produz alimento de verdade, alimento de qualidade, é a agricultura familiar. Mas ela só vai produzir se tiver mão de obra, se tiver gente para produzir."
Especialistas orientam que o processo sucessório seja iniciado muito antes da transferência da gestão da propriedade. A construção desse planejamento deve ocorrer de forma gradual, envolvendo todos os membros da família, com definição de responsabilidades, preparação técnica e administrativa dos sucessores e estabelecimento de estratégias para garantir a continuidade do empreendimento.




