Informação e mudança de hábitos são essenciais para prevenir prejuízos

Goianésia-O aumento da movimentação de torcedores durante a Copa do Mundo também amplia a circulação de ofertas, promoções e conteúdos relacionados ao campeonato nas plataformas digitais. Nesse ambiente de grande interesse do público, criminosos aproveitam a maior interação nas redes sociais e em aplicativos de mensagens para criar armadilhas que simulam oportunidades legítimas, levando vítimas a compartilhar dados pessoais ou realizar pagamentos indevidos.

Em entrevista exclusiva à RVC FM, o delegado Marco Antônio Maia, titular da Delegacia de Polícia de Barro Alto, explicou que os golpes acompanham os temas que despertam maior interesse da população e, por isso, ganham força durante grandes eventos esportivos.

"A criatividade é gigantesca. Eu até falo que, se eles viessem para o lado do lícito, tentar trabalhar honestamente, eles iam se dar bem, porque são habilidosos. A gente fica assustado com a variedade de golpes. A gente viu desde venda fraudulenta de figurinha, bolão falso, links maliciosos, compra de ingresso falso, passagem falsa, hospedagem falsa. O golpista sempre aproveita um momento, uma fase que a sociedade está vivendo. Como hoje a gente só fala em Copa do Mundo, ele tenta aproveitar o máximo dessas informações para dar golpe."

Entre as estratégias mais utilizadas estão páginas falsas que prometem transmissões gratuitas dos jogos, sorteios inexistentes e anúncios com preços muito abaixo do mercado. Em muitos casos, o objetivo é instalar programas maliciosos capazes de capturar senhas bancárias e outras informações armazenadas no celular da vítima.

"Algumas mensagens maliciosas, por exemplo, 'assista a jogos grátis'. Aí o cara clica lá. No primeiro momento, ele vai até ver o jogo, mas depois vai ter todo o seu celular infectado por vírus. Quando acessar uma conta do banco, o criminoso vai ter acesso à sua senha. É um momento delicado. A gente tem de acompanhar, mas sempre com os mesmos cuidados, um pouquinho mais redobrados."

Segundo Marco Antônio Maia, o cenário exige atenção maior neste período. Ele cita que levantamentos do setor financeiro apontam crescimento das fraudes durante grandes eventos esportivos, tornando indispensável verificar a procedência de sites, promoções e compras realizadas pela internet.

Promoções urgentes e ofertas muito baratas exigem desconfiança

As abordagens criminosas costumam explorar o senso de urgência para impedir que a vítima tenha tempo de verificar se a oferta é verdadeira. Ao comentar esse comportamento, o delegado afirma que a pressa é uma das principais aliadas dos estelionatários.

"Eu falo muito: é prudência, atenção. Tudo que tem de ser muito rápido, tudo que você tem de comprar naquela hora, toda promoção instantânea, desconfie. O golpista não quer que você pense, quer que você compre naquele momento. Tudo que é muito barato também é golpe. Não existe nada hoje de graça."

Além de desconfiar de preços incompatíveis com o mercado, ele orienta que o consumidor nunca acesse páginas por meio de links recebidos em grupos de mensagens ou redes sociais, preferindo sempre digitar o endereço oficial da empresa.

"Nunca clique em link que mandam em grupos de WhatsApp ou no Instagram. Você procura o site e entra por ele. Tenha autenticação em duas etapas nas contas bancárias, mantenha o celular atualizado e utilize antivírus. A internet mudou nossa vida, e a gente teve de mudar também a forma de lidar com ela."

Exposição de informações favorece golpes personalizados

Outro fator que facilita a ação dos criminosos é a quantidade de dados disponíveis sobre os usuários. Informações divulgadas nas redes sociais e vazamentos de bancos de dados permitem que as abordagens sejam cada vez mais convincentes.

Marco Antônio Maia relata que muitos golpistas conseguem reunir detalhes suficientes para convencer a vítima de que estão falando com alguém conhecido.

"Hoje, todos os nossos dados se espalharam. Existem sites criminosos que dão acesso a informações que assustam. Eles sabem o perfil financeiro da vítima, sabem até qual tipo de golpe aplicar. Muito também vai por culpa nossa. Tudo nosso a gente posta no Instagram. Muitas vítimas chegam na delegacia achando que é alguém próximo, porque o criminoso dá tanta informação da vida dela que assusta."

De acordo com o delegado, o enfrentamento aos crimes virtuais depende tanto da atuação das autoridades quanto da mudança de comportamento dos próprios usuários diante da tecnologia.

"Nós estamos perdendo para o criminoso, principalmente o virtual. O crime vem aumentando na esfera virtual, mas a gente consegue combater ele só com informação. Não precisa tiro, não precisa polícia, precisa educar e preparar a nossa população para lidar bem com as redes sociais."