Esquema é suspeito de movimentar R$ 240 milhões em cinco anos

Goianésia-  A Polícia Federal prendeu, na quinta-feira (7), Maria Helena de Sousa Netto Costa, sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela, suspeita de integrar e chefiar um dos grupos investigados por promover a migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. A PF destacou que nem Daniel Vilela nem a esposa são alvos da investigação. Segundo as apurações, a organização mantinha contato direto com “coiotes” responsáveis pela travessia clandestina e também atuava na compra de passagens para os imigrantes.

A operação faz parte de uma investigação que apura a atuação de cinco grupos criminosos suspeitos de facilitar a entrada irregular de brasileiros em território norte-americano. De acordo com a Polícia Federal, as quadrilhas movimentaram cerca de R$ 240 milhões entre 2018 e 2023.

Esquema movimentou milhões

Conforme as investigações, cada brasileiro pagava, em média, cerca de US$ 20 mil para realizar a travessia ilegal até os Estados Unidos. A PF informou que, somente no período investigado, ao menos 477 pessoas foram enviadas ao país, embora a suspeita seja de que o número real seja ainda maior.

Segundo os investigadores, o grupo supostamente liderado por Maria Helena teria movimentado aproximadamente R$ 45 milhões dentro do esquema criminoso.

Além da prisão da investigada, a operação também cumpriu mandados de busca e apreensão. O marido de Maria Helena foi alvo das ações policiais, assim como outro endereço ligado à família.

Em nota, a defesa de Maria Helena afirmou considerar a prisão desnecessária e informou que aguarda acesso integral ao processo para realizar uma análise técnica do caso.

Crimes investigados

Os investigados presos em Goiânia são suspeitos dos crimes de promoção de migração ilegal, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas podem chegar a 23 anos de prisão em caso de condenação.

As investigações avançaram após a quebra de sigilos telefônicos e bancários dos suspeitos, medida que permitiu à Polícia Federal rastrear a movimentação financeira das organizações criminosas ao longo dos últimos cinco anos.