Goianésia- Os dois principais investigados pela morte da corretora Daiane Alves de Souza, de 43 anos, foram transferidos para o presídio de Caldas Novas, município onde o crime é apurado pela Polícia Civil. O síndico Cleber Rosa de Oliveira, que confessou o assassinato, e o filho dele, Maicon Douglas de Oliveira, investigado por possível participação na ocultação de provas, estavam detidos em Goiânia desde 28 de janeiro.
De acordo com a Polícia Civil, a transferência tem como objetivo facilitar a realização de interrogatórios, diligências e perícias complementares, já que o inquérito tramita em Caldas Novas. Novas informações sobre o caso deverão ser divulgadas apenas após a conclusão das investigações.
Celular encontrado em caixa de esgoto
Um dos elementos considerados importantes para o avanço das apurações foi a localização do celular da vítima. O aparelho foi encontrado dentro da caixa de esgoto do condomínio onde ela morava, submerso desde 17 de dezembro, data do desaparecimento.
Segundo os investigadores, a forma como o telefone foi descartado indica possível tentativa de ocultar provas digitais. O material foi encaminhado para análise técnica especializada, que irá avaliar a possibilidade de recuperação de mensagens, áudios e registros de localização.
A polícia trabalha com a hipótese de que Daiane tenha sido atraída ao subsolo do prédio após uma interrupção no fornecimento de energia. A corretora costumava registrar conflitos e situações irregulares no condomínio, o que levanta a suspeita de que ela possa ter feito alguma gravação pouco antes do crime.
Corpo foi identificado por exame odontológico
A morte foi oficialmente confirmada após exame pericial identificar o corpo localizado 42 dias depois do desaparecimento, em uma área de mata às margens da rodovia GO-213. O laudo foi encaminhado ao Instituto Medico-Legal Aristoclides Teixeira.
Devido ao avançado estado de decomposição, a identificação ocorreu principalmente por meio de análise odontológica. O atestado de óbito aponta que a causa da morte foi disparo de arma de fogo na cabeça.
Após confessar o crime, Cleber indicou às autoridades o local onde teria abandonado o corpo, próximo ao Rio Corumbá, na divisa com Ipameri, e afirmou ter descartado a arma na água.
A defesa do síndico, representada pelo escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio, informou que não irá se manifestar até o encerramento do inquérito, mas sustenta que o investigado tem colaborado com as autoridades. Os advogados também afirmam que Maicon não participou do homicídio.
Lembranças e comoção
Daiane foi vista pela última vez em 17 de dezembro, ao deixar o elevador do prédio onde morava para verificar uma queda de energia no subsolo. Imagens mostram a corretora conversando com um morador e seguindo em direção à área comum enquanto utilizava o celular.
Amigos e familiares descrevem a vítima como comunicativa, alegre e presente na vida de quem convivia com ela. Natural de Uberlandia, ela morava em Goiás e atuava no setor imobiliário. Pessoas próximas relatam que era dedicada à profissão e costumava registrar o cotidiano, inclusive situações relacionadas ao condomínio.
Daiane deixou uma filha adolescente. A família acompanha o andamento das investigações e aguarda a conclusão do inquérito policial.




