Goianésia- O Governo de Goiás passou a disponibilizar o medicamento Emicizumabe para crianças de zero a seis anos diagnosticadas com hemofilia A. O fármaco, de alto custo, pode chegar a R$ 35 mil por dose. A primeira remessa foi entregue pelo Ministério da Saúde no dia 27 de janeiro e marca a ampliação do tratamento para uma faixa etária que, até então, tinha acesso restrito ao medicamento.
Até recentemente, o Emicizumabe era destinado apenas a pacientes com hemofilia A grave associada ao desenvolvimento de inibidores. Com a nova diretriz, o acesso foi ampliado para todas as crianças dessa faixa etária. A hematologista Érica Paiva explica que a medida atende a uma demanda importante do público infantil, que enfrenta maior dificuldade com aplicações intravenosas.
“Era um pouco difícil, principalmente quando falamos do público de zero a seis anos de idade. Agora, todos os pacientes que se enquadram nos critérios e que estão nessa faixa etária vão poder realizar a medicação por via subcutânea, e não mais por via endovenosa, como ocorria anteriormente.”
A hemofilia A é uma doença genética caracterizada por distúrbios na coagulação do sangue, que provocam sangramentos recorrentes, sobretudo em articulações e músculos. O tratamento convencional exige aplicações frequentes do fator VIII por via endovenosa, o que pode ser mais complexo para crianças pequenas e suas famílias. Com o Emicizumabe, a administração passa a ser feita por via subcutânea, o que facilita o manejo terapêutico e reduz a necessidade de infusões constantes.
“Antes, apenas alguns pacientes podiam fazer uso dessa medicação, que é mais fácil de aplicar por ser subcutânea. Ela pode ser administrada uma vez por semana, a cada 15 dias ou até uma vez por mês, diferentemente das opções anteriores, que exigiam aplicação endovenosa do fator de coagulação. Nesses casos, o paciente precisava de um bom acesso venoso, e a família realizava a medicação até três vezes por semana.”
Dados técnicos indicam que o uso do Emicizumabe está associado à redução significativa dos episódios de sangramento e à diminuição do risco de complicações articulares, o que contribui para a melhoria da qualidade de vida das crianças e reduz o impacto da doença no desenvolvimento físico.
Em Goiás, nove crianças atendem aos critérios para receber o tratamento, das quais seis já foram cadastradas para iniciar a medicação. O acesso ocorre por meio de encaminhamento médico e avaliação do Hemocentro Coordenador de Goiás, responsável pelo acompanhamento dos pacientes e pela liberação do medicamento.




