Outro ponto analisado pelos investigadores envolve o sistema de monitoramento do prédio. As câmeras registraram um intervalo sem imagens de aproximadamente oito minutos

Goianésia - A versão apresentada pelo síndico Cleber Rosa sobre a morte da corretora Daiane Alves, em Caldas Novas, passou a ser analisada com maior rigor pela Polícia Civil. No depoimento inicial, ele alegou ter agido em legítima defesa, narrativa que consta no inquérito policial, segundo fontes ligadas à investigação.

Conforme o relato, Cleber afirmou que se encontrava no subsolo do condomínio por acaso, dentro do almoxarifado, quando Daiane teria surgido de forma inesperada. Ele declarou que o padrão de energia fica próximo à porta do depósito e que, ao se aproximar para religar os disjuntores, a corretora teria adotado uma postura agressiva. A partir desse momento, segundo sua versão, houve uma luta corporal que terminou com o disparo que atingiu a vítima.

A dinâmica apresentada, porém, vem sendo confrontada por elementos técnicos reunidos durante a investigação. Testes de balística realizados no condomínio, na sexta-feira (30), buscam verificar se o relato é compatível com os vestígios encontrados no local. Até o momento, a perícia não identificou manchas de sangue no subsolo, ambiente onde o síndico afirma que o disparo ocorreu.

Outro ponto analisado pelos investigadores envolve o sistema de monitoramento do prédio. As câmeras registraram um intervalo sem imagens de aproximadamente oito minutos, período que coincide com o horário estimado do crime. Para a polícia, o desligamento das câmeras nesse momento levanta questionamentos sobre a versão de um encontro fortuito.

A investigação analisa  a iluminação do subsolo. Informações colhidas indicam que as luzes estavam apagadas e foram acionadas somente quando Daiane saiu do elevador. Caso o síndico estivesse no local anteriormente, como declarou, o ambiente já deveria estar iluminado.

A trajetória do projétil encontrado no crânio da vítima é outro elemento que gera dúvidas. Cleber afirmou que Daiane praticava jiu-jitsu e que o disparo ocorreu durante um confronto físico. Avaliações preliminares da perícia apontam que o caminho percorrido pelo projétil não condiz com uma luta corporal em curta distância.

A apuração considera  indícios de possível tentativa de ocultação de provas. O celular da corretora foi localizado dentro de uma caixa de esgoto do condomínio, local de difícil acesso, o que reforça as suspeitas. Soma-se a isso a ausência de vestígios biológicos no ponto indicado como local do disparo, conforme a versão apresentada pelo síndico.

O inquérito segue em andamento, com a análise de laudos periciais, imagens e depoimentos, para esclarecer a dinâmica do crime e definir as responsabilidades.