Goianésia- Casos de desvio de recursos públicos em escolas estaduais de Goiás estão sob investigação da Polícia Civil e da Secretaria de Estado da Educação (Seduc). As apurações envolvem, até o momento, ao menos 15 situações registradas nos últimos dois anos e indicam o uso indevido de senhas de acesso às contas bancárias das unidades escolares para a retirada irregular de dinheiro público.
Um dos episódios investigados ocorreu no município de Itaberaí, onde uma servidora estadual confessou ter desviado cerca de R$ 90 mil de uma escola para sustentar o vício em apostas online. Segundo a Polícia Civil, as transferências foram realizadas ao longo de aproximadamente três meses, diretamente da conta da instituição de ensino para a conta pessoal da funcionária.
De acordo com o inquérito, a mulher ocupava o cargo de assistente administrativa e era responsável pela prestação de contas da unidade, além da solicitação e pagamento de materiais. Essa função lhe garantia acesso exclusivo às contas bancárias da escola, o que, segundo a polícia, facilitou a prática do desvio sem que a irregularidade fosse percebida de imediato.
Em depoimento, trechos do qual foram divulgados pela TV Anhanguera nesta quinta-feira (29), a servidora relatou que utilizou o dinheiro público para realizar apostas no chamado “Jogo do Tigrinho”. Ela afirmou que a intenção inicial era recuperar os valores perdidos e devolver o montante à escola, o que não ocorreu. Conforme as investigações, todo o valor desviado acabou sendo perdido nas apostas.
A mulher também informou à polícia que chegou a retirar R$ 2,8 mil da conta bancária do próprio marido, sem o consentimento dele, e que o dinheiro igualmente foi utilizado nas apostas. Sem conseguir repor os valores desviados, a servidora procurou espontaneamente a delegacia em 2024, relatou o esquema e chegou a pedir para ser presa.
O caso foi registrado oficialmente no dia 12 de junho de 2024. A investigada responde pelo crime de peculato, que consiste no desvio de dinheiro público por servidor no exercício da função. As investigações seguem em andamento para apurar se há outros envolvidos e se houve falhas nos mecanismos de controle da unidade escolar.
A pasta informou que as suspeitas recaem, principalmente, sobre gestores e assessores financeiros que teriam se envolvido com jogos de apostas online. As irregularidades foram identificadas a partir de auditorias internas e também de denúncias feitas pela comunidade escolar.
A Seduc afirmou que, após a constatação dos indícios, os servidores investigados foram afastados de suas funções e passaram a responder a processos administrativos e criminais, que tramitam em sigilo. O órgão não divulgou o valor total do prejuízo causado aos cofres públicos, mas informou que colabora com as investigações para responsabilização dos envolvidos e adoção de medidas para reforçar os controles internos nas unidades escolares.




