Goianésia- Dois homens foram presos nesta quinta-feira, dia 29, na BR-050, no município de Cristalina, após serem flagrados transportando cerca de R$ 1,7 milhão em dinheiro sem qualquer comprovação de origem. A ocorrência ganhou maior gravidade quando, durante a abordagem, o advogado dos suspeitos tentou subornar policiais militares para liberar tanto os detidos quanto a quantia apreendida.
A abordagem foi realizada por equipes do Comando de Operações de Divisas (COD) da Polícia Militar de Goiás. Segundo a corporação, o veículo seguia de São Paulo com destino a Brasília quando foi parado para fiscalização. Durante a ação, um dos ocupantes demonstrou nervosismo excessivo, o que levou os policiais a aprofundarem a verificação.
Na vistoria, os militares localizaram uma mala contendo grande quantidade de dinheiro em espécie. Questionados, os ocupantes não souberam informar o valor exato transportado e não apresentaram nenhum documento que comprovasse a procedência do montante. A falta de explicações consistentes levantou a suspeita de que os dois homens atuavam como intermediários no transporte do dinheiro, prática conhecida como uso de “laranjas”.
Diante da situação, os suspeitos indicaram um advogado como responsável pela entrega da quantia. Os policiais entraram em contato com o defensor, que compareceu ao local. O nome dele não foi divulgado. Em vídeo gravado pelos próprios agentes, o advogado tenta justificar a posse do dinheiro, atribuindo a origem a atividades comerciais. “Eles fazem importação, pegam muita coisa dentro do contêiner, roupa, brinquedo, final do ano… é tudo documentado. Eu ia trazer as notas fiscais para comprovar”, afirmou.
Na sequência, o advogado passa a tentar negociar diretamente com os policiais. Em um dos trechos registrados, ele diz: “Olha, eu me comprometo, minha palavra… a gente resolve isso, ninguém perde. Eu consigo organizar a documentação e comprovar a origem. E aí, se precisar de retenção dos valores ou de qualquer outra coisa, seja 10 [mil] ou se você libera ele, me passa o seu contato aqui”. Em outro momento, o defensor menciona ter contatos que poderiam ajudar a resolver a situação. “Eu conheço colegas em Brasília, posso ligar, apresentar a documentação, tudo certinho.”
Mesmo diante das tentativas, os policiais recusaram qualquer negociação e mantiveram a apreensão do dinheiro e a prisão dos suspeitos. “Infelizmente, doutor, não podemos liberar nada sem comprovação. É nossa obrigação reportar tudo ao superior”, responderam os militares durante a abordagem.
Diante da tentativa de suborno e da suspeita de crimes financeiros, a Polícia Federal assumiu o caso. O advogado passou a ser investigado por corrupção ativa, enquanto os dois homens detidos respondem por suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. O valor de R$ 1,7 milhão permanece apreendido e à disposição da Justiça Federal, que irá aprofundar as investigações para apurar a real origem e a destinação do dinheiro.




