Goianésia- A secretária de Estado da Educação, Fátima Gavioli, revelou que pelo menos 15 escolas da rede estadual podem ter sido afetadas por desvios de recursos públicos. Segundo a gestora, os casos envolvem diretores e assessores financeiros que teriam usado senhas de acesso às contas das escolas para movimentar ilegalmente os caixas, supostamente para custear apostas online, como o jogo “Tigrinho”.
As irregularidades foram identificadas por meio de auditorias internas e denúncias da comunidade escolar, e já há investigações em andamento tanto no âmbito administrativo, quanto criminal, com a Polícia Civil acionada. Apesar de representar uma minoria frente às 948 escolas da rede estadual, Gavioli afirma que os desvios refletem um drama social que impacta a educação.
“Graças a Deus o número de casos ainda é pequeno. Eu me preocupo muito com jovens, porque, se não fizermos algo, teremos uma geração inteira muito envolvida com jogos”, disse a secretária.
Investigação em sigilo e primeiros casos de 2026
De acordo com a Seduc, os processos correm em sigilo, e a secretária não tem acesso à íntegra das investigações. Sabe-se, no entanto, que já existem casos registrados nos primeiros dias de 2026. Até o momento, nenhum Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi concluído.
A suspeita de que os recursos desviados tenham sido utilizados para alimentar o vício em apostas online ainda precisa ser confirmada de forma definitiva. A desconfiança se baseia no comportamento dos servidores investigados, incluindo empréstimos bancários feitos pouco antes dos desvios, e em depoimentos de familiares e amigos.
“Que os depoimentos todos levam a indicar que foram para jogos virtuais, isso sim”, afirma Gavioli.
Medidas da Seduc
Segundo a secretária, o registro de casos suspeitos de desvio leva à suspensão imediata de repasses do Fundeb. Para evitar prejuízos às crianças, o Estado busca compensar financeiramente as escolas afetadas.
Servidores contratados pelo Estado são imediatamente desligados, enquanto os efetivos são afastados dos cargos de confiança e reassigned a outras funções até a conclusão do PAD.
“Eu sou gestora, e afirmo que quando alguém não age com transparência no uso do dinheiro público, isso respinga em todos nós”, disse Gavioli, ressaltando a necessidade de conscientização sobre o impacto negativo dos jogos de aposta.




